Adeus Edifício Tristeza.

Me sinto incapaz de escrever sobre esse lugar; me falta vocabulário.

Mergulho em memorabilia e nos dias gloriosos que vivi aqui.

É impossível contar quantos cigarros e quantas cervejas tomamos aqui, também é impossível contar quantos copos foram quebrados e quantos problemas foram resolvidos aqui. Afirmo, sendo incongruente e controverso, que o Edifício Tristeza, foi o lugar aonde fomos mais felizes, aonde eu fui mais feliz em toda a minha vida.

Em meu peito não há pesar, pois sei que além do horizonte há um novo lar, e que sempre haverá um novo lar desde que estejamos reunidos lá; Gustavo.

Sinto um apreço e uma melancolia que forma um nó em minha garganta, mas esse choro não é de pesar, é o choro de um amigo que abraça o outro enquanto se despede num aeroporto, sabendo que aquele pode ser o último Adeus.

É um sentimento de mudança, um baque, como quando você passa um final de semana incrível na sua adolescência com pessoas incríveis que te acolheram e te fizeram muito feliz, mas que você sabe que no outro dia você voltará para a sua realidade solitária e a sua rotina, e que aquilo nunca mais acontecerá de novo.

Como quando você assiste um filme de romance clichê e se vê refletida no protagonista da trama, se envolve e se entrega e suspira a cada cena, e termina o filme sozinha com uma coberta e um balde de pipoca murcha, sabendo que aquilo nunca vai acontecer com você.

É um choque de realidade.

Mas a vida flui, e sobre o senso de continuidade tenho falado muito, os dias de amanhã me perturbam, mas virão, e é preciso estar pronto para lidar com eles ou preparado pra aceitar o arremate do acaso impiedoso, existem esses dois tipos de pessoa; no meu caso, prefiro ser a que levanta a cabeça e olha para a frente de peito aberto.

Em minha morte, me imagino aqui de volta, fumando e bebendo, como meu próprio salão dos deuses, Valhalla particular, cada canto desta casa está eternizado em minha memória, e um dia, sei que nos encontraremos todos aqui; novamente.

Obrigado por tudo, você realmente edificou a minha tristeza.

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