Não me convide, eu não vou.

Pode me dizer quem são os seus amigos? São pra sempre? O quanto eles são seus amigos?


Se você souber a resposta eu digo que você pode até estar certo, mas que é preciso muito tempo pra você provar seu ponto e continuar certo.


Um amigo, muitas vezes é um inimigo que você conhece bem o suficiente.


Menos o Gustavo, filho te amo.


Eu não sinto que seja acima da média, eu não me acho melhor do que ninguém, eu não quero competir com ninguém em nada.

 

Mas, se eu for fazer qualquer coisa, ou comparecer em algum lugar, vou sempre dar o meu melhor, e sei quanto isso me custa, sei que ser transparente e intenso já me colocou em situações que eu poderia ter evitado facilmente, mas nunca consegui; não consigo.

 

Por conta dessa intensidade, recentemente passei por várias situações que me mudaram por completo, remapearam meu cérebro e me fizeram até mudar de endereço.

 

Aprendi.

 

Não volto mais aos antigos cômodos e não uso mais o telefone das antigas amizades, alguém deixou ele fora do gancho; melhor assim.

 

Na minha crença, ironicamente, o que mais me aproxima de Deus, do divino, é ajoelhar e me aproximar do chão. Mas Deus não está nos céus? Pois é, também não entendo.

 

Acho que esse gesto pode parecer para algumas pessoas um sinal de devoção, um sinal de humilhação para outros, uma forma de se conectar com a sua fé para outros, e por aí vai, mas pra mim é só uma convenção social.

 

Entretanto, entendi uma coisa com isso, nós não somos iguais a Deus, a Satã, a Buda as entidades, aos Entes, aos deuses, e muitas outras manifestações de crenças, não merecemos olhá-los nos olhos.

 

Somos na verdade, muito distantes de sua imagem e semelhança, somos feios, cheios de defeitos, com egos que chegam antes de nós mesmos nos ambientes, somos intolerância, somos vaidade, somos desigualdade, somos parasitas do próprio mundo em que vivemos, somos inaptos, somos orgulhosos, somos ganância, somos individualistas e nos comovemos apenas com etapas dos processos de consumo que não vemos com nossos próprios olhos - enquanto nossos dedos se movem frenéticamente para digitar um comentário que desaprova o desmatamento e a extinção de espécies, usamos nossos celulares tecnológicos, usamos roupas manufaturadas feitas por alguma mão de obra desvalorizada (pra não dizer escravizada) e enfim... Sobre o que era o texto mesmo?

 

Ah sim, eu mudei.

 

O projeto inconstante vai acabar.

 

A inconstância me conduziu por vielas escuras e luzes muito bem iluminadas, me permitiu experienciar todas as sensações ao máximo, me permitiu viver situações que nunca foram iguais (embora tivessem tudo para ser), nunca tive uma releitura de nada porque sempre me permiti ser diferente, flexível, adaptável, não porque eu não sabia quem eu era, só porque eu podia, é interessante ser uma pessoa imprevisível, só que na verdade eu acho mais problemático do que interessante.

 

Vejam bem, não pretendo abrir mão de ser autêntico, tampouco idealista, são minhas maiores qualidades.

 

Porém, como eu disse, ser assim sem uma dosagem me fudeu muito, e chega o momento em que a constância é bem vinda.

 

Esse é meu último texto desse projeto, pra dizer que não valeu a pena, a vida realmente não vale, mas os momentos sim, e os significados também, as etimologias importam, os temperos utilizados, as cores usadas, os azulejos ao fundo do cenário, as interações com o porteiro, tudo importa se você quiser.

 

É o último texto pra dizer que aprendi muito, ainda vou aprender, mas a inconstância adolescente  ficou pra trás na última curva, me deparei com a burocracia, com problemas de saúde, problemas na justiça e com a morte, nos cumprimentamos de longe na verdade, ela me sorriu e disse “ainda não”.

 

Sabem, escrever é uma paixão que eu tenho, talvez eu continue, mas de outra forma, em outro projeto.

 

Me lembra de uma história, meu avô foi encontrado morto na sarjeta, com dois reais no bolso e sem nenhum documento, levamos dias pra descobrir que ele estava morto e onde ele estava, ele havia sido classificado como “indigente”.

 

Acho esse termo muito adulto, o que nos torna digentes? Um número amigos, nosso RG para registro e CPF para poder de compra e declaração de posses para o governo.

 

Acho isso muito emblemático, porque meu avô morreu sozinho, porém livre, e com suas convicções, sem incomodar ninguém, ele entendeu algo que eu ainda não entendi, e que provavelmente vocês também não entenderam ainda.

 

A dor ensina, queira ou não.

 

Talvez esse seja o nome do meu novo projeto, e talvez eu deixe o link dele aqui futuramente.

 

Um ótimo exemplo do que não fazer que provavelmente eu farei exatamente igual (ou não), sabe-se lá, somos cópias de nossos ancestrais, e a milênios, os erros vem sendo repetidos da mesma forma, não somos nós quem vamos mudâ-los (creio).

 

Me apequeno diante dessa imensidão, reconheço que nada sei, e que daqui pra frente será muito mais difícil do que foi até agora, respiro fundo e me preparo para o que está por vir, não estou pronto, mas não estou sozinho, e sempre que eu não souber o que fazer, para onde ir, ou por onde começar, me lembro que posso dobrar os joelhos, agradecer, pedir perdão e pedir para que meus passos sejam guiados.

 

Fiquem tranquilos, não me tornei um cristão devoto e meu último texto aqui não vai ser uma pregação, mas sugiro que se lembrem de que toda árvore tem suas raízes, não se esqueçam de suas essências, do básico, do simples, do óbvio, mesmo não sendo mais tão incostante, a voz do meu coração ainda é a que grita mais alto dentro de mim; espero que grite dentro de vocês também.

 

Eu amo vocês.

Indigente.













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