Morte, eu te odeio.
A morte não levou apenas meu pai. A morte matou a minha inocência. Uma criança sem pai com um buraco no peito jogada no mundo apenas para sofrer.
Eu culpo a morte por tudo de errado que me ocorreu. Por ter me deixado vivo. A culpo por não ter a quem culpar. A culpo porque não quero assumir a culpa. É mais fácil culpar algo que não existe pelos meus erros e incapacidades.
A morte me rodeia todos os dias, me convidando ao suicídio, “faça como seu pai” ela me sussurra. E eu luto por uma frágil e inútil sobrevivência. Sobrevivendo apenas para preservar os sentimentos de 6 ou 7 infelizes que sentiriam minha falta por alguns dias.
A essa altura eu me sinto vazio, implorando por algo que faça eu me sentir vivo e feliz. Sou incapaz. Não tenho o direito de ser feliz, eu já reclamei demais, a vida não me daria esse prazer, caí nos seus desafetos com os meus anseios pela morte.
Que no fim das contas é tudo que me resta. Meu começo, meio e fim. É tudo que eu sempre tive. É a única que espera ansiosamente com os braços abertos para me acolher. Morte, eu te amo.

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