Tempo.
Querido Gu.
Quantas vezes já não conversamos sobre ele? Sobre esse agente que nos manipula sutilmente. Ora conosco, ora contra nós. Imparcial e implacável. A quem quando jovens queremos exterminar e quando mais velhos imploramos por um pouco mais, quase que num gesto de mendicância a vida.
No fim das contas sempre se trata dele. O caos representado em uma palavra. Com nossos relógios e calendários tentamos manipulá-lo e compreendê-lo; em vão. Só a preocupação que temos com ele já nos despende muito da pequena fração que possuímos do mesmo.
Em fluxo constante seguimos fluindo junto com ele, coexistindo dependentes de sua vontade e supremacia. Enquanto ele segue elegante, sombrio e inalcançável.
Gostaria de tê-lo mais em momentos que passo com você e com a Gabrielly, e menos em momentos nos quais trabalho e me mato internamente.
Pouco sei sobre ele, apenas especulo sobre o que ele é capaz de nos infligir. E ele tem infligido.
Como agentes do caos, espero que tenhamos sabedoria e paciência o suficiente para que saibamos aproveitar a pequena parcela que nos foi dada. Torço para que não as desperdicemos em vão.
Seguimos escravos com a falsa sensação de liberdade. Existe destino? Se sim, qual será o nosso filho?
Com amor e apreço.
Sam.
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