Véu.

Através da cortina de fumaça que eu mesmo soprei do terceiro cigarro que fumei em menos de 20 minutos eu vejo a vida passar.

Vejo pessoas passando, nos encaramos e olhamos nos olhos uns dos outros; completos desconhecidos. Eu não sei nada sobre este homem que passa de terno por mim, na mesma medida que ele também não sabe sobre mim. 

Quais histórias o chapéu dessa senhora conhece? Quantos solos a bengala desse senhor já tocou? Quantas cenas já não viram os óculos desse rapaz? Singularidades e subjetividades reduzidas a um mísero espaço ocupado por um corpo de carne, osso, sangue e músculos. 

Puxo outro cigarro. 

A minha perspectiva parece ser mais nítida quando enxergo através dessa cortina de fumaça, lentamente eu me mato e prazerosamente eu me deleito com a minha insignificância e a dos estranhos que cruzaram meu caminho hoje. Eu amo vocês.

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