Incompleto.

Sigo com minhas meias felicidades, minhas meias experiências privadas de serem completas pela falta de risco proveniente do meu medo de abandonar a zona de conforto.


Cada dia mais infeliz, cada dia mais insatisfeito, meu teto cai sobre mim.


O demônio que me assistia da cama agora já segura em meus ombros, sinto o peso de carregá-lo, agora, além do seu olhar fixado na minha cadeira, consigo sentir seu toque, sua respiração fedendo a enxofre e seus sussurros - especialmente de madrugada – acordo suando, fedendo a álcool e nicotina; tive um pesadelo de novo.


Até onde aguento isso?


A mão do Gustavo me segura, mas minha mão transpira e eu estou escorregando, direto pro fundo do poço que eu acabei de sair. Não é seu papel amigo. Talvez te afete, mas não é problema seu, e você já entendeu, você cala porque sabe que vem. Eu te amo.


A melhor forma de curar uma ressaca é beber todos os dias.


O café já não surte efeito.


Só hoje suspirei umas 20 vezes, meu peito dói, o ar que eu puxo não preenche o buraco.


Dobrei a dosagem dos meus antidepressivos por conta própria. Estou tomando eles com grandes doses de álcool mas não tive nenhum efeito colateral (infelizmente).


Todos os dias demoro 40 minutos pra sair da cama pela manhã, olho pro meu teto fixamente, quase não pisco, lamento por ter acordado mais um dia, peço a Deus que me leve caso ele realmente exista; eu não aguento mais isso.


Quase ninguém sabe disso, me mantenho dopado o suficiente pra conseguir fingir pra mim mesmo e pro resto das pessoas que estou bem. Você que está lendo, sabe que é mentira né? Sabe que eu sou incapaz de sentir algo de verdade porque já morri há tempos.


Minhas mãos tremem nesse ponto do texto.


Estou suando de novo.


Morra Sam.


Morra.

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