Platônico, irreparável e morto.
Me tornei uma máquina de internalizar.
Existe tanta poeira embaixo do meu tapete que minha sala parece
um deserto com incontáveis dunas irregulares. E isso é tão antigo que mal
consigo me lembrar quando varri pela primeira vez.
Algumas pessoas me odeiam simplesmente por não saber como eu
me senti, por eu ter me afastado bruscamente sem justificar, por eu julgar ser
melhor sumir do que incomodar outra pessoa com a minha frustração ridícula, com
minhas expectativas não correspondidas.
Eu me sinto sozinho. Boa parte do tempo eu aceito isso muito
bem, mas há dias como hoje, que isso me suprime.
Eu nunca encontrei alguém que atendesse as minhas mil
exigências e aceitasse meus mil defeitos, eu nunca vou encontrar, porque se
essa pessoa perfeita e utópica surgisse magicamente na minha vida eu a
expulsaria na minha primeira necessidade de ficar só.
Eis todo o amor platônico que em mim habita.
Eis meu labirinto emocional infinito e com paredes
indestrutíveis.
Eis um ciclo sem fim.
Constantemente lembro a mim mesmo de que não devo criar expectativas, que não devo me envolver e magoar mais pessoas; constantemente me desobedeço. Ciente de todos os riscos. Um verdadeiro palhaço. Saltando de relações cada vez mais rasas e fúteis. Buscando em outras pessoas matar a minha sede insaciável por sei lá o quê.
Sinto que isso nunca vai parar até que eu mude, até que algo aconteça. Mas o quê? Mas como?
Pobres dos que cruzarem meu caminho, pobres dos que se
compadecerem, pobres dos que tentarem me ajudar.
Eu irreparável, vomitando minha amargura e acidez nesse
maldito blog. Já não apelo nem mais a morte, ela não aceitaria alguém tão
impotente que não sabe o que fazer com os seus próprios problemas, alguém tão
medíocre.
Eu morri e fui rejeitado no inferno. Destinado a viver no
nada, no limbo. Eu me sinto nele agora.
Minha dor é tão imensa e profunda que já nem dói mais.
Apático e com um nó na garganta encerro mais esse desabafo.
Obrigado por ter lido até aqui.
Eu te amo.
Eu te odeio.
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