Velho.

Eu sou velho, com a movimentação debilitada aceito minha incapacidade de realizar algumas tarefas, as deixo para os mais jovens.

Eu sou velho, meu raciocínio não está lá essas coisas.

Eu sou velho e constantemente sou descreditado pelo que digo por ser taxado como senil.

Eu sou velho e meu apetite já não é mais o mesmo; meu paladar está prejudicado, nem mesmo o sabor de deliciosas comidas me satisfazem.

Eu sou velho e reclamo dessa nova geração "Ah céus, na minha época as coisas eram diferentes, eram muito melhores!"

Eu sou velho e quero privilégios, quero filas e assentos preferenciais, estou cansado, já me esforcei demais.

Eu sou velho e minhas costas doem.

Eu sou velho e não consegui pegar meus remédios no postinho de saúde.

Eu sou velho e não tinha vaga pro clínico no SUS.

Eu sou velho e recebi minha aposentadoria atrasada na pandemia.

Eu sou velho e sinto necessidade de contribuir com as gerações mais novas, ensinar as crianças.

Eu sou velho e me julgo experiente e capaz o suficiente para dizer a um jovem o que fazer com a sua vida baseado nas minhas experiências frustrantes. Não as desejo aos jovens, que as evitem.

Eu sou velho, compro uma marca barata de cigarro, porque a essa altura, já não me importo com a qualidade do cigarro, basta que me queime por dentro e que me preencha.

Eu sou velho e cansado, observo a juventude sorrir, sem saber o que os aguarda.

A vida não tem propósito meus queridos jovens, quanto mais cedo se percebe isso, pior é.

Vivam e sorriam, bebam e se droguem o quanto puderem. No fim das contas, memórias serão tudo o que terão.

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