Viandantes.
Você acende meu cigarro; me passa; trago.
Um dos meus, um dos nossos.
Mais uma noite aqui amigo, sofrendo, porém juntos. Sustentar o peso dessa frustração, dessa incapacidade, dessa impotência, fica muito mais fácil quando você está suportando comigo.
Mais uma conversa inconclusiva sobre tudo que nos assola, sobre nossa necessidade de sermos desejados, sobre a nossa necessidade de ficarmos sozinhos, sobre incongruências, sobre nosso hábito de diminuir sofrimentos alheios, sobre não sabermos lidar com o tempo que compreendemos tão bem. Sobre tudo e sobre nada.
Somos uma pequena parcela de um grande nada. Mas sua vida e como você se sente me interessa muito, a sua pequena parcela de nada me é muito interessante. E é por isso que estou e sempre estarei aqui. Esses fardos são nossos.
Somos jovens muito estranhos. Não temos todo o imediatismo e ansiedade que normalmente se encontra nos jovens. Pelo contrário, somos pacientes e observadores como velhos, que já entenderam como o moinho da vida gira, como as coisas acontecem. Precoce e estranhamente maduros; maturidade imposta.
Estabelecemos pequenas metas, apertamos alguns parafusos para que aguentem mais um pouco, lubrificamos as engrenagens com álcool e polimos com a fumaça dos cigarros. Estamos prontos pra outra. Um mecanismo novo porém muito gasto pelo uso excessivo e inadequado; não deixa de ser velho - velho tudo o que funciona mal, tudo que range, tudo que falha quando mais se precisa.
Estamos prontos pra seguir o vento, o fluxo do rio, inconstante e mesa do telefonista lançados ao destino, prontos pra lidar com todas as adversidades da maneira mais dolorosa e imersiva possível, internalizando o máximo que conseguimos; tragando pra ajudar a descer.
Quem nos olha de fora vê um conceito, não imaginam o que passamos pra estarmos aqui hoje, emanando a falsa confiança e segurança que tanto admiram quando fazemos algo que exige 20% do nosso potencial.
Sermos quem somos nos faz singulares, claro que essa moeda tem dois lados (assim como quase tudo na vida), mas será que não cabe a nós mudarmos um pouco nossa perspectiva filho?
Tenho florescendo em mim um sentimento de mudança, de perspectiva, de hábitos, claro que não pretendo mudar quem eu sou, mas como eu te disse ontem (eternizado ontem), será que não podemos fazer algo por nós mesmos? Algo pra diminuir o que torna tão fácil se depreciar, se mutilar, e vir aqui nesses blogs pra falarmos mal de nós mesmos pra esses problemáticos que vem até aqui pra ler.
Em você encontro tudo que mais amo em mim mesmo, e sinto que isso é recíproco, a conexão que nos torna uma extensão um do outro.
Em você encontro tudo que eu mais odeio em mim e que até o presente momento nunca foi solucionado.
Por essa identificação projetiva somos irmãos, famílias diferentes, repertórios diferentes, comportamentos diferentes, ligados pelo destino em prol de um propósito coletivo e ainda desconhecido.
Que tenhamos disposição, sabedoria, e paciência pra suportar tudo isso.
Quanto dele será que ainda nos resta filho?
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