Anônimo.

Quem sou eu? Ninguém. Não sou nada.

Sou insignificante, irrelevante, um coadjuvante que mal aparece ao fundo.

Sou um filho, um funcionário qualquer, um fumante, um leitor, um consumidor. Menos que um; qualquer um.

Gosto disso. Isso me permite viver à margem de tudo. Me permite exercer toda a minha indiferença. Me priva de ter que me posicionar sobre qualquer pauta que pouco me interessa. Eu não ligo. Estou triste demais pra me preocupar com qualquer coisa que não seja planejar meu dia seguinte e formas de morrer.

Aos poucos consigo me tirar da minha própria realidade, já não vou mais as reuniões de família pois sempre digo que estou ocupado, já não faço mais falta (ótimo), já não saio mais com meus “amigos” porque sempre que me chamam eu recuso, e eles se cansaram de me chamar, vão sem mim (ótimo), no serviço exerço minha função de forma que poderia ser facilmente substituído por qualquer um, a qualquer momento posso ser mandado embora por ser incompetente (não tão ótimo mas foda-se).

O único lugar que ainda frequento voluntariamente é o Gustavo. Lá, me sinto não como protagonista, mas como parte do elenco, e isso me é agradável, pois posso ser estranho sem ser julgado, não há cobranças ou estereótipos, eu gosto disso.

Escrevo esse texto meio sonolento e cansado, a qualidade dos meus textos também não tem sido uma constante (se bem que nunca foi), ora produzo textos excepcionais, ora desabafos medíocres sobre minha realidade com a qual ninguém se importa, nem eu mesmo.

Esse foi o meu desabafo de hoje. Sem revisão, sem critérios. Apenas vomitado.

Até a próxima.

De um morto indigente que ainda caminha entre vocês.


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