Desabafos de alguém que já viveu o bastante.

 

Voltei a fumar, fumo 15 maços por mês, cada um a R$9,75, gasto cerca de R$146,25 por mês; com muito prazer. Puxo a fumaça com tesão, cada vez que fumo um cigarro é como se eu fizesse um ritual, que me mata um pouco mais por dentro, não me importo. 


Não muito dele me resta; eu sinto.


Esse ano completo 24 anos, desperdiçados.


Nunca fui o melhor em nada do que fiz (nunca fiz questão e nem me esforcei para tal), nunca fui capaz de concluir algo que não fosse aos trancos e barrancos, cheio de traumas e frustrações. O único talento que eu tenho do qual eu tanto me orgulho e afirmo fazer parte do meu sonho não passa de uma farsa, eu não sei tocar violão, nunca soube, eu engano a vocês, engano a mim mesmo.


Uma vida completamente mal vivida, desde criança andei por becos escuros e solitários, perdi vários familiares que amava, passei por muita coisa ruim, mas que se foda, todo mundo sofreu, isso não faz de mim uma pessoa minimamente diferente, não me torna especial. Na verdade, tudo isso acumulado com as minhas próprias referências e a minha trajetória me fizeram ser esse ser humano medíocre que infelizmente ainda vive entre vocês.


Não é a primeira vez que torno a dizer que me sinto velho e exausto.


Um peso nos ombros me cansa diariamente, dói muito suportar.


Durante o dia, minha rotina ajuda a me distrair, tenho pessoas preciosas na minha vida. Durante a noite preciso me encarar, fico sozinho comigo mesmo nesse quarto maldito, aonde eu já tentei me matar várias vezes, aonde já transei como um ator pornô, com um buraco imenso no peito que eu já tentei preencher com absolutamente tudo e todos que já conheci; em vão.


Não me sinto feliz com nenhuma companheira, não me sinto útil fazendo nada, sou medíocre em absolutamente tudo que faço, não tenho controle da minha própria vida, dos meus sentimentos, não consigo tomar grandes decisões, não consigo assumir riscos e responsabilidades, não consigo ser feliz.


Existe muita gente medíocre por aí que recebe demasiado reconhecimento e fama, são aplaudidos por dizer qualquer besteira a ouvidos que se agradam de melodias baratas e comerciais, considerados gênios da nossa geração, formadores de opiniões e influenciadores; perdidos, guiando um barco furado numa rota sem destino e cheia de neblina. Conduzindo todos ao incerto, com a única certeza iminente da morte (desejo).


Não sei se quero ser reconhecido por ser um medíocre acima da média, não sei se sou suficiente a este ponto. Talvez afirmando isso, esteja mais uma vez me sabotando e desperdiçando meu baixíssimo potencial. Não me importo.


Quero morrer como meu avô, sozinho, na beira da estrada, sem documentos, amigos ou família, sozinho, com uma roupa velha, um maço de cigarro barato e dois reais no bolso. Só espero não precisar chegar aos 50 anos pra isso, me sinto exatamente como ele, só que aos 23.


Deus, mais uma vez te imploro pra por fim ao meu sofrimento.


De um Sam desgostoso e amargurado.

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