Dr Jekyll and Mr Hyde.
Me lanço contra mim mesmo em uma guerra interna. O homem guerreiro não é mesmo Nietzsche? Não me sinto nem um
pouco guerreiro, me sinto triste e confuso, um palhaço, um otário.
Luto pra não me auto-depreciar,
luto pra conseguir amar, luto pra tentar ser minimamente feliz, luto contra meu
alter ego pra tentar me manter vivo e esperançoso; ele sempre dominou tudo, me
manteve dormindo, sabe muito bem me fazer dormir quando bem entende. Filho da
puta.
Olho pro meu celular pela quarta
vez em menos de 5 minutos, nenhuma mensagem...
Mas também, o que eu esperava?
Não era isso que eu queria? Não foi por isso que excluí todas as minhas redes sociais?
Então por que me sinto mal agora que finalmente estou só?
Não sei.
A verdade, é que eu não queria a
solidão completa, eu só não queria ser preenchido por futilidade, trivialidade
e superficialidade. Queria poucas relações, só que com qualidade. Só tenho uma.
Só
tenho uma?
Somos todos sós. Uma realidade
sempre muito dolorida de se viver. Dizê-la ou ouví-la não dói nada, soa até
romântico, mas não ter ninguém, se sentir sozinho e desesperançoso, dói como o
diabo.
Finalmente estou em casa, me
ocupo com todas as tarefas domésticas e coloco uma música bem alta pra não ter
que me escutar, brinco com o meu cachorro, ele sim é feliz, não sabe de nada,
me ama incondicionalmente, sou seu provedor de comida e afagos, o que mais
alguém poderia querer?
Leio meus livros de filosofia e
psicologia que continuam destruindo minha sanidade a cada dia que passa.
Jogo meu joguinho, a melhor coisa
que me aconteceu. Cada partida dura cerca de 40 minutos, jogo várias, uma após
a outra, concentrado, vidrado, nada mais importa. Vivo a realidade do
personagem pra não ter que encarar a minha. Fiz isso por anos e posso fazer por
muitos mais.
Acabou a energia, fudeu.
Hora de me encarar... Não tem
mais tarefas, não quero ler, minha cabeça lateja, dói.
E agora José?
Sou um grande inconveniente a mim
mesmo. Olho para as minhas mãos “O que você está fazendo mano?” sou um
desperdício completo. Olha pra mim, olha pra toda essa merda que eu escrevo... Eu me
odeio mais do que qualquer outra coisa. Tudo que eu disser diferente disso sou eu tentando me convencer de uma mentira absoluta.
Se eu fosse capaz de colocar as mãos em mim mesmo, só Deus sabe o que eu seria capaz de fazer...
Como isso começou mesmo? Ah sim!
Solidão...
Eu afastei todo mundo, preciso
lidar com isso, essa não vai ser uma noite curta, ela trará demônios, febre e
pesadelos.
Por mim tudo bem; estou
acostumado.
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