Esperança?

Olho em volta e só vejo pessoas tristes, cansadas, com um semblante de completa derrota. Não sei se tenho essa percepção porque ultimamente só tenho frequentado meu trabalho e os trens da CPTM, mas a impressão que eu tenho é que está tudo ruindo; as paredes estão desmoronando, e ninguém quer as segurar, estamos expostos em um cômodo aberto.

Não tem sido fácil.

Em alguns momentos eu simplesmente não consigo reprimir o senso de superioridade. Olho ao meu redor e vejo uma mulher lendo “A arte de ligar o foda-se”, vejo uma senhora vendo um vídeo de exercícios na cama elástica (julgo-a repulsiva, só pelo tipo de conteúdo que consome, a convivência com ela provavelmente seria um martírio pra mim). São 08:30 e já me sinto exausto. Estou cercado de imbecis, sou o mais imbecil de todos.

Abro meu spotify e clico no modo aleatório; logo de cara começa uma música do Rosa de Saron chamada “Cuida de mim”........... Deus está rindo, ele adora brincar comigo.

Um rapaz entra no trem e começa a vender seu livro autoral, eu me interesso, gosto de incentivar escritores; paro para ouvi-lo. A princípio rejeito, era um livro sobre esperança e positividade, isso não combina comigo. Mas aos poucos seu discurso me fisga, ainda estava fragilizado com a recente anedota divina.

Ele falava sobre o quanto reclamar demanda energia, sobre o quanto bilhões de pessoas diariamente sofrem com seus problemas, o quanto provavelmente muitas delas estavam em situações piores do que a minha, sobre o quanto eu tinha potencial para agir e inspirar outras pessoas; potencial para ser mais, fazer melhor.

Ele tinha razão.

Não comprei o livro porque não tinha dinheiro, mas suas palavras cortaram minha carne. Mesmo com um sotaque estrangeiro e falando algumas palavras em um português enrolado e sensual ele conseguiu me convencer da sua baboseira positiva. Larápio.

Agora me encontro numa encruzilhada entre potência de ação e melancolia apática. Mas estou disposto a fazer algo à respeito.

Obrigado estranho, pela inspiração.

Renovado e disposto a tentar mais um pouco.

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