inimigos_do_futuro.bat

 Sábado, 28 de agosto, 10:30. - Texto redigido do computador do meu melhor amigo.

 

É muito gostoso de escrever no teclado do Gustavo. As teclas são macias e perfeitamente espaçadas. O único problema é que é ruim pra usar o ponto do interrogação; por um instante, me sinto longe das dúvidas, mas sei que isso se resume a este teclado.

Estou longe de casa, não aqui, aqui é meu segundo lar, mas longe do que eu estabeleço como algo que quero alcançar, mas que sequer sei o que é e tampouco sei como alcançar.

A ressaca moral como de habitual me assola. Ontem mandei mensagem pra ela de novo; novidade. Eu deveria deixá-la ser feliz, mas por que não consigo?

Mais do que amantes do passado, somos inimigos do futuro.

Chegamos em um consenso ontem, de que não conseguimos abrir mão do controle que exercemos, não só porque somos manipuladores, isso é uma consequência, exercemos esse controle por temermos a variável que são as outras pessoas e o que elas podem fazer conosco.

Tememos o abandono, tememos o sofrimento, tememos amar demais, sabemos que dentro do âmbito dos relacionamentos, não existe meio termo; por isso estamos sozinhos.

Existem várias formas de lidar com medos e anseios; fazemos isso da forma mais infantil possível. Crianças mimadas que sempre tem o que querem, e quando não conseguem o que querem com o pai, pedem para a mãe, e vice versa; temos vários pais e mães por aí.

Nossa luta, é pra sair dessa cela, a qual nos apegamos tanto e decoramos todos os detalhes, em teoria, temos uma ideia do que queremos e de onde queremos chegar, mas em prática, não, na verdade, não existe prática, fazemos exatamente o oposto do que internamente queremos, vai ver é por isso que a gente sofre tanto.

Mas isso é uma etapa, você não troca uma resistência de chuveiro se não tiver o chuveiro, a resistência nova, se não desligar a energia, se não deixar a água gelada correr um pouco antes de religar a energia... Temos tantos métodos, mas não conseguimos criar um pra lidar com isso.

Não dá pra jogar a culpa em mais ninguém, afinal, já encontramos pessoas que falavam a mesma língua (ou que aprenderam a falar) pessoas que estavam na mesma sintonia, a mesma frequência silenciosa e ensurdecedora. A culpa é s(ó)empre nossa.

Dois programadores falidos, que não conseguem finalizar um algoritmo porque uma das variáveis não tem um valor determinado e a outra variável é π.

Vejo x como alguém (seja passado, presente ou futuro) e π como ação ou método, seguimos processando incontáveis variáveis em vão, com um hd seminovo e uma ventuinha cheia de pó.

Pelo menos temos boas discografias e filmes baixados pra esperar o processamento desse algoritmo.






Erro! Esperava-se encontrar o valor de x

Erro! Esperava-se encontrar o valor de π

Erro! Sintaxe incorreta na declaração de variáveis.


Porra... Inferno.

Afinal, computadores não processam emoções.


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