O almoço da família feliz :)

Hoje é sábado, 01/08/2021, são 00:56. Estou vivo.

 

Amanhã tenho uma reunião de família pra ir. Eu vejo minha família cerca de 3 a 4 vezes por ano; gostaria de poder ver menos.

Pra ser sincero, nunca tive uma família, eles são parentes distantes que fingem que se importam e sustentam uma preocupação infundada.

Se eu morresse, seria motivo de uma leve melancolia após o almoço numa quinta feira do mês de setembro. Mas não poderia durar muito, afinal, depois do expediente haveria um happy hour, não haveria espaço para tal sentimento.

Eu tenho 24 anos, não sou mais uma criança.

Confesso que nos últimos tempos, minha concepção de família mudou bastante. Pude entender melhor meus pais (mãe e padrasto) e a preocupação deles para comigo, pude entender o que havia por trás da cobrança que eles sempre me colocaram, eles só querem o meu bem. Eu os respeito por isso, eu os chamo de família por isso.

Por todo o suporte, paciência e apoio eu sou grato hoje.

Os demais, tivemos bons momentos e nada mais, nenhum suporte, memórias de 10 anos atrás revividas em encontros vazios, não vejo sentido nisso, pra ser sincero a melhor parte é a comida. Sempre tem discussão, alguém sempre fica bêbado, a bagunça precede a limpeza que terá de ser feita antes do anoitecer. Todo mundo odeia e sempre acaba exausto; mas isso nunca acaba.

Não é como se tivessem a obrigação de estarem presentes ou de me ajudar, mas isso é ambivalente. Não me sinto no dever de considerá-los minimamente. Irrelevantes.

Meus pais consideram isso importante, manter esses laços enfraquecidos, não vejo sentido, mas irei por causa deles. Eles também tem o direito de estarem perdidos.

Me considero meio insensível nesse aspecto, meu pai morreu, eu não tive família, me falta essa base.

Eu não respeito os mais velhos, eu não suporto reuniões de parentes, eu odeio a falsidade e a toxicidade enraizada.

Nunca fui invejoso, nunca consegui entender o sentimento de inveja, nunca fez sentido pra mim, mas quando eu vou pra essas reuniões, é como se eu pudesse tocar esse sentimento, ela está presente em todo o canto, eu me sinto mal.

Vejo fofoca e sussurros de canto, como se eu estivesse em uma corte da Europa medieval, ou como se eu estivesse entre crianças que decidiram não ser amigas por dois dias porque uma delas trouxe uma merenda gostosa e não quis dividir. Isso também não faz sentido pra mim.

Estou indo pra lá, amargurado e contra gosto, prefiro a morte, mas ultimamente, tenho encarado algumas responsabilidades.

Se esses filhos da puta fazem tanta questão de me ver só pra saber que eu não morri, então que seja. Vejam esse cadáver esguio transitar e comer da sua comida e satisfaçam suas perspectivas moribundas e conservadoras.

Voltarei exausto por esse esforço desnecessário, mas espero que me esqueçam por um tempo.

Até o natal, infelizmente.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Adeus - A eterna despedida.

Adeus Edifício Tristeza.

Não me convide, eu não vou.