Sozinho e babaca.

Sexta feira.


A solidão habitual me consome mais do que nos outros dias. Estou num trem, desacompanhado, a estação final se aproxima e estão todos em grupos, prontos pra me atropelar no desembarque; o vão é meu destino final.


Mesmo assim escolho sair sozinho, não quero companhia hoje.


Estou cercado por quatro cervejas, monto meu altar pessoal com elas em volta de mim e inicio meu ritual de adoração ao lixo que é a minha vida.


Não tem nada dando certo, nada ta bem, minha mudança de perspectiva me fez agir como um cachorrinho na coleira; inofensivo.


Se eu pudesse eu socava o filho da puta que inventou essa porra de positividade até esmagar o crânio dele, até minha mão quebrar de tanto espancar os ossos.


O diabo tá no meu corpo hoje, eu só consigo sentir ódio e angústia.


Uma parte de mim queria que não fosse assim, mas ela apanhou e foi chutada pro canto hoje.


Preciso me lembrar que é essa a minha condição, a solidão, é a de todos nós, eu preciso me lembrar disso, eu preciso, preciso, preciso aceitar isso. 


Como eu queria que fosse simples.


Queria suprimir minha carência até ela deixar de existir, não, melhor, eu queria que ela não existisse, queria ser um filho da puta sozinho e babaca.


Sem resquícios de sentimentos, sem me importar, destruindo qualquer arrombado feliz que cruzasse meu caminho, infelizmente ainda não consegui chegar nesse ponto.


A vida não tem sido gentil comigo, e eu não esperava menos, essa puta, tão desgraçada quanto a desgraçada que me pariu e me jogou nesse esgoto de mundo maldito.


Tô cansado e quero me perder, queria morrer hoje, mas eu tenho certeza que infelizmente não vai acontecer.


Que se foda o amor e Deus, estou perdido sem propósito tal qual os que acreditam ter um.


Quero que vocês se fodam.





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