Eclipse.
Paciência é uma virtude, e talvez eu
não tenha tanta assim. Digo o mesmo sobre tolerância e sobre compreensão.
Tenho sido incapaz de escrever textos
com mais de 4 parágrafos, não tenho tido mais paciência pra minha melancolia
que me abria os olhos (ou que me cegava). Tenho feito planos e estabelecido
metas, tenho ouvido músicas felizes e estou tentando ter um relacionamento.
Meus sumiços tem sido mais frequentes
e em intervalos de tempo bem menores, meu limiar de saturação está deturpado,
ficar 5 minutos no instagram me faz ter 10 tipos de câncer diferentes.
Eu não me sinto melhor que ninguém,
mas não faço questão da companhia de ninguém, sempre estive e estarei muito bem
sozinho. O ponto é que eu estou tentando dar mais valor as pessoas que ficaram
por escolha própria, porque sei que são pessoas tolerantes, que estão dispostas
a lidar com o lixo de pessoa que eu sou, e isso não se encontra em qualquer
lugar.
Essa contradição entre sentir repulsa
de tudo e todos e uma necessidade de interação e de talvez ser um pouco mais
sociável tem me corrompido. Desaprendi a conversar e a interagir, dificilmente
estou aberto a conhecer uma pessoa na qual eu não me veja, não estou aberto ao
diferente, minha vida está em eclipse.
As sombras retornam e cobrem o sol que
estava me iluminando; felizmente eu sempre odiei o sol. Elas vieram me salvar.
Às vezes eu me imagino matando todo
mundo de quem eu não gosto, eliminando tudo que me incomoda numa utopia
higienista, mas a mesma coisa que me impede também impede essas pessoas de
retribuirem o ato.
O erro está em achar que quando essa
pessoa morrer, a ideia vai morrer com ela, sempre vai haver um substituto,
sempre vai haver importunação e a paz é tão utópica quando meu anseio imaginativo
por assassinato em massa.
“Por baixo desta máscara
não há só carne... Por baixo desta máscara há uma ideia, Sr. Cryde. E ideias
são à prova de balas!”
- V for Vendetta.
A busca pela compreensão e pelo
encaixe é frustrante, não há tantos espelhos assim no mundo, e mesmo que
houvesse, eu seria incapaz de quebrar todos. No segundo, minhas mãos estariam
cortadas e sangrando, cheia de cacos de vidro.
Tenho vivido um processo ambivalente diário,
no qual eu faço um milhão de considerações durante o dia e ao final dele enfio
todas no cu, quando me confronto e chego a conclusão de que eu não sei de porra
nenhuma.
Amordaço meu ego velho, apático e
saturado, espanco ele, forçando-o a ficar no canto do quarto com suas
considerações de merda; “maldito, você
não sabe de porra nenhuma”.
Eu não tenho tempo pra lidar com autosabotagem,
com a tristeza, com o fato de ter pessoas próximas ou não, com uma preocupação
pra saber o que pensam ou não, ou sobre ser correspondido no amor.
Tudo tem seguido um fluxo contínuo e
linear, sem bifurcações, eu não sei aonde isso leva, mas foi-se o tempo que eu
manejava esse timão. Grandes mudanças vem aí, e eu sou apenas um figurante
nesse plano.
O tempo tem se encarregado de esfregar
na minha cara o peso que minhas escolhas tem, e tem me feito ser mais prudente,
no que penso, digo, considero e faço. Eu estou de volta a mesa de
planejamentos, porque meus questionamentos me impedem de colocar qualquer coisa
em prática.
É isso que acontece quando se
considera as parcelas alheias, quando você abre mão do controle, você se sujeita
a lidar com essas variáveis, e você mergulha a esmo na correnteza, isso não
traz benefício algum, mas te deixa mais forte; só que pra quê?
Pra finalizar eu vou deixar uma lista
de coisas das quais eu tenho certeza absoluta, porque são opiniões minhas
validadas incontáveis vezes por mim mesmo:
Lista de certezas:
·
Eu
odeio Coldplay;
·
Eu
odeio girassóis;
·
Sapatênis
é ridículo e fica feio em qualquer um;
·
Não
chupe halls preto de máscara.
Lista de lembretes:
·
Achar que sabe de alguma coisa é um erro;
·
A confiança é a ruína do homem;
·
Até mesmo a ciência precisa ser revalidada;
·
Quando não houver mais questionamentos,
questione;
·
A desconfiança é o farol que guia o prudente;
·
A ferramenta de um homem, é a arma de outro.
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