Ódio.

Eu estou flutuando, meus pés são leves, no meu fone de ouvido algum rock muito pesado com uma gritaria insana abafa meus pensamentos, fiquem quietos aí filhos da puta.

Minhas panturrilhas fortalecidas pelo meu caminhar sempre apressado me impulsionam sem fadigar, sempre andei como um doente apressado, nunca tive que chegar rápido em lugar nenhum, o princípio inexplicável da pressa sem fundamento.

Parado, meu ódio flui junto com o meu sangue, fervo em cólera, seria capaz de esmurrar um inocente até a morte e me arrepender 5 minutos depois.

Tanta raiva me consome, me ataca a gastrite, consumo toda a energia calórica do meu almoço só sentindo raiva e pensando em maneiras de me suicidar.

Todo mundo reclama sobre tudo, e apesar de eu me compadecer e abraçar causas alheias, não há nada que eu possa fazer além de ouvi-los, pobres inafortunados; anseio por descobrir o que farão. Torço por suas resoluções.

Se eu pudesse resolveria tudo com violência, queria que todos os meus problemas e traumas tivessem um rosto que eu pudesse esfolar de tanto agredir, até que meu ódio acabasse, meus músculos fadigassem  e minhas mãos sangrassem ou até eu encontrar alguém tão violento quanto eu que entrasse numa briga comigo até a morte, seria o final perfeito(se eu perdesse).

Conveniente demais morrer numa briga; quase impossível. A civilidade é inimiga da simplicidade, limites invisíveis me impedem de conquistar e destruir, o que me resta é destruir a mim mesmo, esse é um direito meu, ninguém pode me impedir, e é o que tenho feito (com muito prazer inclusive).

Vivo pelo propósito do caos, sempre remoendo ódio e ressentimento em minhas entranhas, destilando veneno e sendo negativo, e claro, pensando nas pessoas que já morreram.

Eu cansei de esconder e suprimir isso, eu cansei de fingir que não sou isso, a partir de hoje eu vou olhar no fundo do olho de cada filho da puta evangélico e dizer que Deus quer que eu me foda e que recomendo que enfie sua fé no cu e que vá se foder em outro canto; longe de mim.

Olho por essa porra de janela, uma estúpida chuva fora de contexto, fazia calor a cinco minutos atrás, que desgraça de clima do caralho.

Penso em agredir o cara que está escutando música sem fone, penso em agredir o cara que está usando sapatênis, penso em agredir a idosa que encara o rapaz sentado num assento que não é preferencial, na esperança de que ele ceda a porra do lugar pra FILHA DA PUTA SENTAR PORQUE ELA ESTÁ CANSADA DE NÃO FAZER NADA O DIA INTEIRO.

Minha estação está chegando, me movo e sinto a raiva fluir, ela sai pela ponta dos meus dedos, como uma energia invisível transbordando.

Me mantenho em movimento porque isso me faz descarregar esse ódio, parado ele se acumula, como energia estática, em movimento ele explode pelos meus poros, me jogando para o centro, sempre em frente, como um trem com a energia elétrica, e os trens não podem parar.

Essa é a resposta filho, por isso estou sempre com raiva, por isso estou sempre com pressa.

Encaro uma escadaria, na minha mente ela me leva ao inferno, desço sem hesitar, passos firmes e acelerados, ela dá para um corredor com uma luz no fim do túnel, no meio do corredor um morador de rua deitado me encara, Caronte meu caro amigo, quantas vezes mais vai me negar uma carona?








É o fim?


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