Imagens Residuais.

 Aviso: Texto com opiniões e perspectivas individuais, leia quando estiver aberto.

 

Somos máquinas de interpretação, constantemente nos apegando a qualquer sinal passível a interpretação, tudo em troca de um pouco de conforto e segurança, em troca de nos sentirmos minimamente familiarizados com o desconhecido que nos assusta.


Tratarei de 2 tipos de imagens residuais, as quais darei um nome para simplificar o tratamento delas no decorrer do texto:


Pré-imo: São as imagens residuais que ficam sem haver convivência (ou com uma convivência mínima), que são suficientes para uma concepção que durará a vida toda;

Pós-imo: São as imagens residuais que são deixadas pós convivência - você conheceu aquela pessoa por tempo suficiente, e por isso escolheu mantê-la ou removê-la de sua vida.


Já teve uma conversa muito boa com alguém em quem tinha interesse? A conversa foi eufórica, durou 40 minutos e você sorrindo para a tela do celular queria mais daquilo. Depois disso vocês nunca mais se falaram.


Na minha cabeça, isso é fruto da cultura do desinteresse, na qual estamos chafurdados da cabeça aos pés, na mesma proporção que buscamos encontrar o refúgio do espelho no desconhecido, também nos esforçamos para sermos espelhos.


Negligenciamos nossas parcelas profundas, para que se molde mediante a necessidade da praticidade e do raso, um conceito pré-imo que satisfaça as pessoas com quem nos relacionamos, assegurando assim também, que essas pessoas com quem nos relacionamos também encontrem pelo menos mais 20 pessoas iguais a nós na próxima esquina ou na fila de um banheiro público.


Isso gera insatisfação e frustração.


Gera pessoas cansadas que só sabem reclamar e que se sentem integralmente perdidas, e quando digo perdidas eu não me refiro somente aos domínios de Eros, falo dos domínios de Gaia, da vida e de tudo que é terreno.


Quando você se molda a uma cultura supérflua, você se adapta a correntes, vivendo baseado em pré-concepções e julgamentos, isso se reflete em tudo, e uma hora, de tanto se ver refletido daquela forma, seu eu interno se acostuma, e passa a acreditar naquela versão. É a partir desse ponto que nos perdemos.


Não se perca de si. Não mensure sua vida com padrões alheios. Não espere aprovação para fazer algo ou tomar iniciativas; seja mais solitário, não há problema nenhum nisso, até porque, quando seu passo firmar e você estiver convicto do caminho que quer seguir, com certeza haverão mais pessoas dispostas a trilhá-lo com você e te ajudar a transpor os obstáculos.


Voltando a pauta.


Tudo que é baseado em pré-imo eu tomo como plástico, superficial, raso, precisa ser revalidado, não é verdadeiro e às vezes é tão raso que não chega nem a lidar com um princípio de realidade, lida com um princípio imaginativo e interpretativo.


Do tipo “Não gosto dessa pessoa porque em 2016 ela fez um tweet falando mal de Harry Potter”, “Essa pessoa falou mal de uma banda que eu gosto na minha frente”, “Essa pessoa não concorda com o meu posicionamento político”, percebe o quanto isso soa ridículo?


Pagamos o preço por condicionar nossas opiniões dentro dos nossos pequenos universos. Veja, você não é obrigado a se relacionar com alguém que julga desagradável, nem a concordar com perspectivas que não condizem com suas crenças, mas vai viver sempre na mesma bolha a medida que fecha as portas para o novo; para o diferente.


Falando do pós-imo, esse sim é embasado, e responsável pelo fim dos casamentos, relacionamentos, amizades e outros muitos níveis de relação.


Existe uma pequena possibilidade de uma pessoa mudar completamente dentro de um período de tempo, e uma possibilidade menor ainda de ela se reapresentar com essa nova face e sustentar isso para sempre.


Escrevi sobre isso no meu texto “Reencontros nunca dão certo” disponível aqui no meu blog.


Quando temos um conceito pós-imo de alguém, é diferente do pré-imo, pois aqui, os esforços são para sustentar o que foi mostrado desde o princípio, você não se esforça em acompanhar a mudança daquela pessoa, e dificilmente essa pessoa vai se esforçar também.


Somos escravos da segurança, do conforto e da familiaridade, acompanhar as mudanças de alguém é um processo difícil, pois somos extremamente singulares, e é por isso que dificilmente relacionamentos (amor, amizade e etc) nunca duram pra sempre, especialmente nos dias atuais.


Uma vez que a imagem pós-imo for fixada na cabeça de alguém, você dificilmente conseguirá mudar aquilo, e de tanto tentar, acabará voltando ao que era antes, por isso empresas não recontratam ex funcionários, por isso não dá certo voltar com ex, por isso que quando saímos da casa dos nossos pais não queremos voltar.


Eventualmente deixamos coisas para trás, e isso é o fluxo natural.


Acho que para concluir, uma forma de estabelecer uma harmonia na tratativa desse assunto, seria tentarmos abrir mão das pré-concepções um pouco, não completamente porque elas nos servem também como mecanismos de defesa, mas abrirmos mão ao ponto de sairmos da zona de conforto ao nos relacionarmos, ao tentarmos conhecer pessoas novas e expandirmos nosso ciclo social.


Outra alternativa, seria estreitar os laços com quem se é próximo, tentar acompanhar melhor o desenvolvimento de pessoas que consideramos importantes, temos tanto tempo para ler sobre a vida de desconhecidos e acompanhá-los em várias plataformas, por que não dedicar esse tempo para alguém próximo? Mudar o foco do interesse.


Já foi comprovado que prevenir é muito mais fácil do que remediar, uma vez que uma relação se rompe, nada mais será como já foi; não permita que se rompa.


Na mesma medida, permita-se mudar, não vale a pena se esforçar para manter uma imagem residual ancorada para agradar aos que te prendem ao passado/presente, se permita seguir em frente, quem realmente gostar de você irá te entender e te acompanhar, e quem apenas adora a sua imagem irá se incomodar, deixe que partam os que negligenciam a sua evolução.


É importante também entender a diferença entre mudança e características negativas, pondere sempre se a sua mudança é para melhor, nunca para pior. Fica o exemplo das pessoas negativas e resmungonas que estão sempre se queixando e nunca se esforçam para mudar o cenário ou mudar a si mesmas, todo mundo se afasta dessas pessoas e você sabe o porquê.


Não seja você uma âncora também.




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