O amor vai acabar nos matando.
Engano meu achar que esse texto cabe num texto.
Tentar é minha sina; na escrita e no
amor.
Meus últimos dias tem sido meu inferno
astral, tudo está dando errado, mas não estou chateado com isso, porque esses
cacos de vidro que voam em minha direção não conseguem me ferir, minha casca é
grossa e já está calejada.
Acho que boa parte das pessoas procura
um amor, correspondência, não integralmente, mas em algum momento da vida todo
mundo já quis ou vai querer isso, o sentimento de morte interna que é o amor.
Queimando, perecendo e definhando.
Previamente já disse que não sei o que
o amor significa e tampouco saberia amar, você não pode cozinhar um prato se
não conhece os ingredientes. Na mesma proporção que você não se torna um chef
de cozinha sem estudo, preparo e muitas tentativas mal sucedidas de atingir a
perfeição.
Até onde eu preciso errar?
De quantas validações é feito uma
convicção?
Isso depende da persistência e evolução
ou simplesmente do tempo?
Não trago nenhuma resolução aqui, é
pura frustração jogada em palavras embaralhadas.
Não deu certo com ela, não vai dar, não
deu certo com ela também, e nem com ela, nenhuma delas, todas elas, então
porra, se não são elas então sou eu! Nem os melhores ingredientes ficarão bons
num prato feito por um cozinheiro de merda, e até essa porra de refeição sair,
eu que me foda, porque eu estou com fome.
Nunca vou me encontrar em relações
vazias e nem numa cama semi aquecida, mesmo dormindo abraçado com alguém, ainda
haverá um abismo entre nós, isso não me traz acolhimento algum.
Estou caindo de um penhasco para o
abismo, alguns muitos pares de braços me seguram e reduzem a queda, com vários
perfumes, tons de pele, cores de cabelo, vozes e sorrisos, a minha coleção
pessoal de pessoas incríveis que eu tive a capacidade de perder, um mestre na
arte de estragar tudo.
No final do abismo só há solidão.
Eu não morro na queda, pelo menos não
integralmente, mas é um futuro sombrio com queixas, solidão, macarrão com
sardinha, água suja e um maço de eight. Isso me lembra meu avô, nada me tira da
cabeça que eu vou morrer como ele, sozinho na beira da estrada, sem sequer
estar com o meu documento, bêbado e indigente.
Deus me ajude que eu esteja errado.
Dos olhos que me veem poucos conheço,
alguns familiares mas não vejo o que dizem, só vejo que me olham, e isso me
assusta. Assusta saber que sou passível a julgamento e completo descrédito do
mais ridículo dos indivíduos; o senso de superioridade mora no silêncio do ego,
lidando com o princípio de realidade deturpado de quem enxerga o que quer.
Com as vozes na minha cabeça gritando
aumento meu fone no último volume, afinal, quero ouvir todas as vozes, menos as
minhas, não estou apto a ouvir o que tenho pra me dizer, deve ser alguma
idiotice; só poderia ser.
Na contramão estou cercado de
convicções, juntos com os pares de olhos estão ouvidos de muralha e línguas de
serpente, prontas para destilar o veneno a favor de qualquer versão barata que
foi capaz de transpassar aqueles muros de ignorância e concreto.
Lidar com a realidade é assustador; não
consigo confiar em ninguém.
Deveria?
Isso me puxa pelo pé de volta ao amor.
Pra que ele exista é necessário confiar
também não é? Será que eu consigo? Você consegue? Será que isso pode ser
aprendido? Até onde vale a pena?
Até onde a minha própria visão,
deturpada pelos meus princípios da obtenção de prazer e de evitar o desprazer
vai ser capaz de me mostrar o que é verdade e o que é esquizofrenia?
Afinal, também sou carne e osso, erro
assim como vocês, porém, faço parte do grupo que erra conscientemente, o que me
torna tão filho da puta quanto vocês.
Aliás, existe acerto e erro nesse
contexto?
Quem sai mais machucado perde?
Por que o amor me interessa tanto se eu sei que ele vai acabar me matando?
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