O respaldo da ressaca moral.

O futuro tem me assustado.


Sou preenchido por juventude, portanto, bebo e fumo como se não houvesse amanhã; mas há (é aí que mora o problema).


O amanhã me assusta pois sei que anexo a ele virão os pesos das escolhas que fiz (e principalmente das que não fiz). Sou incapaz de dizer o que é certo e o que é errado, de mensurar o que é melhor pra mim, sou incapaz de classificar qualquer coisa, afinal, fui amaldiçoado com sensibilidade, e visto de determinada ótica, tudo está certo e tudo está errado; há dias estou afundado na minha própria cabeça.


Tenho sorte e sou ingrato, não mereço nenhum de vocês (vocês sabem que é pra vocês que eu digo isso).


Penso em tudo que passei pra chegar aqui hoje, e sei que sou forte, estou pronto para encarar muita coisa, mas não estou pronto para um bocado de outras coisas, o que me faz querer queimar todas as minhas memórias já que elas não valem de nada para me ajudar a sobreviver mais um dia.


Não é como se eu negligenciasse tudo que vivi, acho que realmente estou vivendo minha vida como quero, e hoje sinto que estou fazendo o que é melhor pra mim, mas eu percebo que nisso mora um problema, que é o veneno que eu destilo diariamente em minhas veias.


Não há melhoria sem sacrifício, não há evolução sem entrega, falo de noites sem dormir e dias conduzidos pela exaustão aos quais somente é possível sobreviver com muita força de vontade e determinação. Eu rezo por mais um pulsar de força e por mais batidas fortes do meu coração para que eu leia mais um livro, trabalhe mais um dia, ouça mais uma música, beije mais uma boca, pertença a mais uma seita, tenha mais um corpo em meus braços, de uma mulher jovem, triste e solitária.


Minha percepção corporal está sempre ativada, estou sempre sentindo meus dedos, minha respiração, sempre atento a qualquer estímulo externo com o meu instinto superior, isso faz as horas passarem arrastadas; o tempo humano é inimigo dos detalhes.


Eu seria completude se soubesse como passar (Aldir Blanc concorda), como gerir meu sentir para ativá-lo quando eu bem entendesse; infelizmente, mesmo sabendo tanto, ainda não sei nada.


Tenho temido meu silêncio, ele tem me dito coisas que não quero ouvir.


Tenho odiado a submissão, tenho sido absoluto em minhas vontades, tenho considerado humilhação qualquer tipo de busca, já percebeu isso? Vamos falar um pouco disso.


Quando você quer algo, ou quer possuir alguém, toda a demanda de energia é sua.


Você inicia a conversa, você se preocupa com o que vai fazer, com o que vai dizer, com a forma que vai agir, com a forma como vai ser visto, com a roupa que vai vestir, com a comida que vai comer, com o lugar que vocês vão, com o que quer que seja necessário para que você consiga o que quer. Eu estou cansado disso.


Não quero ter que me preocupar com o que não vem naturalmente, não quero ter que me policiar constantemente com coisas que custam a minha sanidade (sempre custaram), não tenho muito mais dela a oferecer ao diabo em troca de seu deleite com esse show de horrores.


Estou usando uma aliança de um antigo namoro meu, aí você me questiona, por quê?


Quero me lembrar de um compromisso comigo mesmo, de que eu não vou me envolver em relações mais profundas do que um prato de sopa. Não quero ter que passar por isso de novo, eu não gosto de despedidas, eu não gosto de me sentir mal por conta de desajustes e desentendimentos, eu não quero estar com alguém e atingir o fundo do poço de novo, e me isolar e sumir e voltar um mês depois porque minha cabeça está quebrada, e porque eu sou doente.


Eu quero ter paz e quero proporcionar paz para as pessoas com as quais me relaciono, eu aviso, por favor não ultrapassem esse pequeno cercadinho de consciência na minha mente, eu juro que não tenho muitos recursos para te impedir de pisar no jardim mais podre e mal cuidado que você já viu na sua vida.


Não é mais possível fugir de casa, não há mais pra onde correr, a vida cada dia mais tem exigido minha cara a tapa, quanto mais velho, maior a cobrança, e isso chega pra todo mundo. É claro que já não me sentia criança ha muito tempo, e que tenho muito bem estabelecido que as coisas que eu perdi nunca voltam, mas se havia qualquer centelha de esperança ainda queimando em mim, digo aqui que ela morreu, e que hoje sigo pelo senso de dever e de responsabilidade, comigo e com eles; com ele principalmente.


Gustavo alugou um triplex na minha cabeça, posso afirmar que é a pessoa que eu mais amo nesse mundo, e que eu simplesmente não existo mais sem ele, eu tenho sorte por tê-lo em minha vida.


Dos sentimentos gerais, tenho me sentido cansado e triste, mas isso é normal, tenho me sentido ridículo, mas isso também é corriqueiro, estou em um novo emprego um segmento completamente novo, eu não sei fazer nada, eu não sei nada, e isso me inspira a ser melhor, tem sido interessante.


Pois bem, faltam exatamente 2 anos, 79 dias, 5 horas, 6 minutos e 33 segundos e eu ainda não sei como terminar um texto; sempre péssimo com despedidas.


Essas foram as atualizações, espero que fiquem bem (na medida do possível) e até uma próxima.


Sempre caótico e irrelevante; inconstante.




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