Prazer Leo, nada além de um mísero nada.
Como sempre você estava linda.
Era a sua formatura, você estava com
um vestido azul e all star combinando com o vestido.
Radiante.
Eu estava na plateia, era um de
seus convidados e estava ansioso pelo momento em que você pegaria o seu
diploma, havia acompanhado aquele processo de perto e te ajudado a transpor
cada obstáculo.
Você até olhou pra mim em algum
momento, e sorriu, ou talvez para a sua mãe que estava do meu lado, mas eu era
seu convidado, e me sentia honrado por isso!
O tão esperado momento chegou,
você pegou o diploma, discursou na frente dos outros formandos e suas
respectivas famílias, você tirou várias fotos com seus amigos de classe e
família, e teve até uma que eu saí no fundo, que noite, não é mesmo Bianca?
O restante da noite foi de
festança, uau, tudo estava lindo, um evento super bem organizado, o buffet
estava incrível, comida a vontade, pena que eu passei 90% do tempo do lado de
fora fumando.
No fim do evento você até me
cumprimentou, “Obrigado por ter vindo Leo”, e eu sorri e te abracei, “Todo o
sucesso do mundo Bia!”.
Foi a última vez que nos vimos.
E eu vou explicar o porquê.
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Desde que éramos pequenos você
sempre foi o amor da minha vida.
Me lembro da primeira vez que te
vi na cidade, você havia acabado de se mudar, você estava com o uniforme
completo da escola, uma lancheira na mão e asas de fada, você já estava velha
demais para aquelas asas, mesmo assim, fez todo mundo te amar, e virou amiga
até do ser humano mais imbecil daquela escola Bianca.
Eu por outro lado, cresci
isolado, resguardado, sem lancheira, sem pais, só uma avó alcoólatra e muita
tristeza, mas sempre te admirei, você me inspirava.
Nunca interagi com você no
primário, mas sempre assistia você brilhar de longe, radiante como um planeta,
como um astro que ilumina todo um sistema solar, nada era igual sem você; você
era singular, extraordinária.
Já no ensino médio eu cheguei a
te cumprimentar algumas vezes, e você educadamente respondia, e depois dava
algumas risadas para as suas amigas, será que eu era engraçado?
Considerava que sim, e esperava
ansiosamente pela próxima oportunidade de te ver em algum corredor, para que
pudesse te cumprimentar de novo.
Nesse ponto você era uma das mais
populares do colégio, e talvez tivesse me reconhecido de alguma ocasião isolada
do primário.
Na 8ª série,
você tinha chegado na escola, eu estava fumando (sim, eu estava fumando) e te
salvei de um atropelamento, desse dia em diante, você passou a ser mais gentil
comigo, e até saímos algumas vezes com os seus amigos, mas nunca me enquadrei, mesmo
assim, ficava ali por você.
Na faculdade
saímos sozinhos algumas vezes, para estudar e tomarmos café, você me contava
muita coisa e me falava sobre a sua vida, eu amava aquela oportunidade,
embora... Você nunca tivesse reparado em mim da forma que eu gostaria...
Me lembro de
quando você namorou o Nate, um garoto mais velho da escola, eu sabia que ele
era um idiota e que não te merecia, mas mesmo assim eu decidi não dizer nada
sobre ele, e te deixar decidir sobre sua própria vida.
Parando pra
pensar, você não merece ressalva Bianca.
Essa porra de
história não é um romance, você nunca me amou.
Você nunca me
levou a sério, nunca considerou minha inteligência e minhas capacidades, sempre
acreditou que eu fosse bobo e inferior, do auto de sua arrogância e de sua auto
estima elevada você nunca sequer me perguntou se eu me sentia bem, sequer
considerou minha realidade.
Paro pra me
questionar agora, por que estou fazendo isso? Me humilhando. Por que me
humilhei todos esses anos? Por que me submeti a tanto com alguém que sequer
sabia que eu existia?
Você sempre
esteve no centro do universo, sempre teve pai e mãe, sempre teve amigos, reputação,
privilégios, beleza... Você nunca esteve só, nas sombras, jogada ao relento,
como um saco de lixo esperando para ser recolhido.
Você não sabe
como é amar alguém incondicionalmente, como eu te amei todos esses anos, sem
você sequer saber disso, sabia que eu existia, nada além disso, como uma mosca
que você espanta com as costas da mão; um pequeno inconveniente.
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Bianca, eu sou
um idiota, depois de ter ido embora, eu me embriaguei, perdi o controle; me
perdoa.
Eu não sabia
mais o que fazer, imaginar continuar a vida sem você me partia ao meio, me
perdoa, me perdoa, me perdoa.
Eu estou espalhado
em pedaços nesse asfalto, e dedico meu último segundo de consciência a você,
nada diferente do que foi a minha vida inteira, sempre você.
Eu não pensei
em minha atitude, simplesmente não tinha mais propósito, somente revolta e
arrependimento, então me joguei, estou envergonhado, mas talvez você nem saiba,
e se souber, talvez nem ligue, nada além de uma notícia triste numa terça feira
às 17:35 da tarde, que você soube através de alguém em um grupo aleatório do
whatsapp.
De qualquer
forma saiba, eu te amei a minha vida toda, mais que qualquer um, e me despeço
aqui, sei que está namorando com o Nate agora e espero que sejam muito felizes,
que se casem e tenham filhos, que ele possa realizar tudo o que eu sempre
sonhei.
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Seria
irônico se você existisse né?
Eu
ao menos tenho um enredo na minha cabeça pra justificar minha morte
injustificada.
Me
joguei dessa porra de ponte porque minha vida é uma bosta e eu não aguento
mais.
Seria
lindo se fosse romântico como eu narrei aí em cima, mas não é.
Não
passa de nada além do que é, realidade nua e crua.
Desculpem
por tomar o tempo de vocês com essa imbecilidade, sou apenas mais um nas
estatísticas de suicídio, espero que apreciem a vida de vocês por aqui; por
hora, meu tempo se esgotou.
Morra
Bianca.
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