Fui convidado pra uma festa que só tinha um convidado.

De pequenas disposições nascem grandes traumas.

 

Gradativamente, acumulam-se os danos; é sempre uma surpresa quando a conta chega.

 

 

Sobre a mesa, um maço pela metade, duas garrafas de cerveja e o punhado de dignidade que me restou.

 

 

A noite é fria e o vento me corta os lábios, apesar disso estou sonolento, há tempos não há descanso verdadeiro, e só quem passa por isso vai me entender.

 

 

Não ter paz é de longe a pior sina, não sei o que tanto me inquieta, e se eu soubesse provavelmente não saberia o que fazer.


 

Minha música favorita do momento não está no Spotify, assim como não tem alguém que eu ame comigo, assim como não consigo ser feliz em nenhum contexto, a minha realidade desencaixada caminha assim, deixando peças de sanidade pelo caminho.

 

 

Tenho falado sozinho, não consigo ajeitar a postura, minha coluna tem danos permanentes; minha cabeça também.

 

 

Desesperado sigo remando a braçadas no vasto oceano, não há horizonte à vista, só há meu peito queimando, meu pulmão prejudicado, câimbra nos membros e vontade de desistir e afundar aqui mesmo.

 

 

Os vislumbres dos vagalumes transeuntes me atraem e me cegam, porque olho demais para a luz, como uma mosca que cai numa teia de aranha, talvez agora eu entenda porque mesmo depois de toda a sua linha evolucionária elas continuem caindo na mesma armadilha; nós também continuamos.

 

 

Se olharmos bem, todos os nossos problemas estão ligados aos instintos primitivos, e se racionalizarmos o suficiente, os problemas somem, acrescidos de tempo e recursos suficientes para tal. Infelizmente, amaldiçoados com sentimentos e emoções, vivemos nosso sofrimento como seres humanos, e só mais um trago pode me ajudar a esquecer isso.

 


Por hoje é só, minha tristeza é prolixa e não só acorrenta minha alma ao inferno astral, como pode acorrentar a sua também.

 

 

Pro inferno com o amor e a felicidade, aqui, isso nunca existiu.

 

 

Desgostoso;

 

inconstante.


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