Limites.

"Ultrapassar os limites não é um erro menor do que ficar aquém deles." - Confúcio.

Existe um limite do que pode ser dito, existem limitações cognitivas, existe um limite de vocabulário, um limite de caracteres, arreios e caixas imaginárias, limites intransponíveis.

Quando falei hoje pela manhã me lembrei que tinha voz; você se acostuma ao silêncio.

Minha voz sai embargada e com a dicção prejudicada, fruto do pouco uso que faço do mecanismo quando não sou obrigado a vir trabalhar.

Chega um momento que as músicas já não dizem mais nada (exceto as que tem valor sentimental especial) mesmo em outros idiomas, tudo que está sendo esgoelado ali já foi dito mil vezes, e o que muda é só a melodia, o ritmo e o protagonista.

Torno a dizer que perceber o tempo passando é a maior penitência, o maior castigo que alguém pode dar a si mesmo.

Ainda sobre os limites, existem limites do que pode ser sentido (e do que não), e existem experiências que diminuem, aumentam ou destroem esse limiar, atualmente meu termostato está quebrado, minha bússola aponta o norte errado, sigo para o sul me questionando porque estou me afastando cada vez mais do sol e me questionando o porquê de estar sentindo tanto frio.

Existem limites do que podemos considerar sobre o que as outras pessoas vão pensar, falar ou fazer, é impossível considerar tudo, e tentar te faz enlouquecer; é muita informação.


A comida já não tem o mesmo gosto, a bebida já não me desce como antes, o ar me pesa os pulmões, e minha bochecha dói quando eu sorrio, minha musculatura facial me força a voltar para a mesma expressão; neutra e apática.

Desvio dos ralos como se fossem mata burros, na minha imaginação eu serei sugado pra baixo se pisar em um deles, tenho o mesmo princípio com bocas de lobo, a gravidade prega peças então até ao chão me atenho, tenho inimigos por todos os cantos e em todas as dimensões, tudo pode me ferir mas poucas coisas podem me matar, uma morte ridícula é a última coisa de que preciso.

Passei por um grafite que sempre achei muito bonito, sempre que passava de ônibus ficava admirando, porém passei por ele andando, e estava perto demais.

Ultrapassei o limiar da perspectiva; quando se está perto o suficiente, tudo pode se tornar ameaçador, a forma como olhamos para as coisas determina a proporção que aquilo vai ter na nossa cabeça.


Alusivamente falando, na minha cabeça tenho formigas que moram em triplex, e dinossauros que moram em casinhas de bonecas.


Erro meu negligenciar os danos que a desproporcionalidade me causou.

Ultrapasso meus limites pessoais me interpelando sobre o que eu quero pra mim e no que acredito, o silêncio me responde, mostrando que nem sempre o sábio só escuta, às vezes o sábio também precisa se posicionar, se não ele enlouquece relativizando tudo, e sendo empático até com quem não deveria.

Existem limites que não devem ser ultrapassados.

Existem limites que nunca deveriam ter sido ultrapassados.

Atualmente, entre precaução e culpa, tenho preferido a precaução, porque a bagagem que carrego já está pesada demais, e não preciso de mais culpas no cartório.

Prefiro me arrepender por não ter feito, porque o malfeito não pode ser desfeito, e minhas “aventurazinhas” me arriscando me causaram danos permanentes.

"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância." - Sócrates.

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