O mar.

 Resíduos de um velho poema encontrado numa caixa mofada no porão.


Suas ondas vem e vão;

a correnteza obedece o vento (o único que ainda
consegue dobrar sua vontade).

 

Conectado com tudo que o cerca,

cheio de cor e de vida.

 

Misterioso em suas profundezas,

ora calmo e pacífico,

ora agitado e violento.

 

Leva consigo tudo que precisa,

mas rejeita aquilo que não quer.

 

Pode ser azul e vívido,

pode ser cinza e monótono,

e mesmo sendo salgado,

muita gente aprecia mergulhar nele.

 

Consistente e contínuo;

bate nas rochas até que elas se desfaçam,

pela força do atrito e de sua persistência.

 

Nunca teimoso, sempre segue seus instintos,

pode ser letal a quem não respeitar sua
profundidade,

afoga quem muito avança.

 

Lar dos peixes, corais, tubarões e milhares de
outras espécies;

assim como as lembranças e memórias que nos
habitam.

Cansado, mas não o suficiente para abrir mão de sua existência;
não o suficiente para abrir mão de ver tudo que está por vir.

 

Velho e cheio de memórias,

muitas histórias pra contar,

mesmo sem passar na pele aprende;

sabe quando protagonizar e quando ser coadjuvante.

 

Quem vai até o fundo consegue mergulhar e ver beleza,

mas também encontra coisas medonhas,

e não consegue ir muito fundo por conta da pressão.

 

Apesar de tudo, é belo e sempre mencionado,

existem vários mares diferentes,

assim como existem muitos de nós.

 

Aliás;

se pararmos pra pensar,

cada um de nós, é um mar.



The Rainbow - Willian Trost Richards (1890)


Moonlight on the Gulf of Salerno - Ernst Ferdinand Oehme (1827)


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