Eu odeio domingos mais do que terças feiras, porque eles me trazem sentimentos conclusivos e isso nem sempre me agrada.

 

Esse texto é um compilado de textos escrito no decorrer de uma das piores semanas da minha vida.

 

Estou encarando meu teclado já tem uns 20 minutos, faz tempo que não escrevo e me sinto enferrujado.

 

Eu sei que vou me cobrar sobre a qualidade desse texto, e sei que se eu não gostar dele, daqui a dois dias eu vou arquivá-lo e fingir que esse momento não aconteceu, às vezes fazemos isso com coisas que fazemos e nos arrependemos não é?

 

Uma das minhas maiores qualidades é a confidencialidade, não é da minha índole explanar nada que eu ouvi ou que presenciei, mas dessa vez vai ser difícil, porque meus últimos dias, na verdade, meus últimos meses, foram uma realidade compartilhada contínua.

 

Basicamente estive vivendo uma vida compartilhada com outras pessoas, nunca integralmente só, sempre acrescido de uma companhia, seja um amigo, companheiro de trabalho ou parceira amorosa.

 

Não me resguardar a solidão é um dos meus maiores erros, mas eu tenho evitado isso ultimamente, porque minha própria companhia ultimamente  tem me sido horrível.

 

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Segunda – Feira – Abrem-se as portas do inferno.


A semana mal começou e eu já sei como vai terminar.

 

Está chovendo, tudo está calmo demais para uma
segunda feira, frio, tanto quanto o lado direito da cama.

 

Eu sei que vou chegar e não vai ter ninguém me
esperando, que vou cozinhar em silêncio, e que vou beber o suficiente pra ficar
com sono e conseguir dormir minhas 4 horas.

 

Hoje pensei na Laura, senti saudades dela e mandei mensagem; ela nem recebeu.

 

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Terça -Feira - Disposição empática.


Tenho tentado, nos últimos dias (apesar de já me considerar sensível o suficiente), ser uma pessoa mais empática.

 

Por trás de tudo que é verbalizado e de toda ação, há sim uma razão implícita. Existem aqueles que agem no piloto automático eventualmente, mas isso é esporádico, e mesmo esses, tem suas razões.

 

É impossível conceber uma realidade baseada em todos os parâmetros (pelo menos não de forma saudável), considerar todas as realidades é considerar demais, e te enlouquece.

 

A empatia é seletiva porque, apesar de eu reconhecer os elementos supracitados, eu não vou levar todos em consideração, é a única forma de tentar aplicar essa sensibilidade de forma não-lesiva.

 

Existem aqueles que admiram o gesto e percebem que você é uma pessoa distinta, que se importa, que escuta. Existem também, aqueles que abusam do gesto pra tirar algum tipo de proveito, esses merecem apenas essa simples menção a nível de exemplo; pessoas que tentam tirar vantagem o tempo todo em qualquer contexto são repugnantes, não há nada que eu odeie mais.

 

Tenho exercitado algumas habilidades de manejo social, como a assertividade e a fala em turnos, mesmo que eu não concorde com você e/ou não faça ou diga o que você quer/espera, eu posso te ouvir, posso pontuar, e te dizer um não sorrindo.

 

Pode ser que eu não te ajude, mas alguém vai. Pode ser que eu simplesmente não possa ou que eu realmente não queira, de qualquer forma, estou resguardado pelo benefício da minha singularidade.

 

Da mesma forma que eu existo e considero cada unidade, espero que me considerem minimamente numa disputa de interesses ou numa interação corriqueira.

 

Claro que contar com isso seria contar com o ovo no cu da galinha, e seria inocência da minha parte; nem por isso vou deixar de esperar que algum dia, as pessoas saibam fazer o mínimo que lhes cabe.

 

Alheio a isso, também sei que estou de um local proveniente de anos de observação e sensibilidade, e que isso não é acessível a todos. Veja bem, não me sinto especial ou importante, só sei que dediquei mais tempo a isso do que a maioria, talvez até mais do que deveria, e que se eu tivesse dedicado esse tempo a estudar madeiras, seria um ótimo marceneiro.

 

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Quarta – Feira – O pior dia da minha vida até o momento.

 

Fui pegar minha toalha e o papel higiênico caiu no chão, encharcou todo o rolo, foi um sinal que daquele ponto em diante meu dia seria uma bosta; e realmente foi.

 

Eu simplesmente não tenho forças pra reclamar hoje, teve greve de ônibus, eu me machuquei, me sinto um lixo.



Eu apagaria esse dia da minha vida tranquilamente.

 

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Quinta - Feira - Tentei ser gentil; não deu certo.

 

Não nasci pra ser boa praça.

 

A cada tentativa de validação é uma nova confirmação de que agir contra meus instintos é um erro.

 

Ninguém me admira pelo que estou tentando ser, aliás, ninguém me admira, e se o faz, não deveria, mas o ponto é que ser bonzinho nunca me deu nada, e nem vai.

 

Foi um período de teste aonde eu sorri pra todo mundo, cumprimentei todo mundo e me submeti a socializações em todos os nichos em que estive.

 

A verdade é que eu quero que se foda, e se eu não deixar isso claro o suficiente, vocês não só vão querer que eu me foda como vão me foder, tendo o poder de escolha, eu vou foder primeiro.

 

Nunca tive empatia por desconhecidos e meu afeto sempre foi seletivo, meu erro foi transbordar isso.

 

Se eu acordo sorrindo, meu dia automaticamente acaba no momento que eu ponho o pé pra fora da cama, sentimentos bons só me trazem a desgraça, e é por isso que eu sou assim.

 

Eu quero que Deus se foda, enfia sua religião no cu, se Deus pode fazer algo por mim, é manter minha mãe viva, só isso, de resto, foda-se, já tem anos que eu tô implorando pra morrer e Deus ta batendo punheta pra essa minha vida de bosta do caralho.

 

Impossível ter qualquer satisfação dessa forma.

 

Nas minhas 5 horas por dia dentro de transporte público, tenho tido bastante tempo pra pensar em tudo, já chegando exausto no trabalho, no qual, uma jornada de 9 horas me espera, pra atender os clientes mais filhos da puta da região norte de São Paulo.

 

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Sexta – Feira – A saturação me corrompeu e me tornei aceitação.

 

Marquei de sair com meus amigos e uma pessoa, não deu certo.

Não me importei, iria só, mas a Débora veio junto, foi uma noite incrível, com cerveja, cigarro e uma longa conversa.

 

O fim dessa semana me soou como um alívio, não aguentava mais.

 

Encerrei a noite indo ver o meu melhor amigo, bebemos mais e conversamos até a madrugada, não há nada que eu goste mais do que isso.

 

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Domingo – Feira – O fim da linha?


Silêncio ensurdecedor.

 

Cansaço extremo.

 

O amanhã é incerto, será que essa semana vai ser melhor?

 

O decorrer da semana me fez usar menos palavras, estou economizando energia para o acaso.

 

Pra você, eu sei que uma hora ou outra vai ler, eu te propus uma coisa, e vou seguir com essa proposta, não espere complacência da minha parte quando você me diz que mudou e não cumpre a sua parcela. Sigo firme no que me proponho.

 

Não vou considerar o que não for verbalizado de sua parte, mesmo que isso signifique afastamento e estranhamento, crie o abismo que for, eu não me responsabilizo e nem sinto culpa, afinal, fui claro o suficiente.


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Assim como essa semana, esse é o pior texto que eu já escrevi. Vou deixá-lo aqui pra me lembrar de muitas coisas.

 

De saco cheio, inconstante.

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