Liberdade – A quebra das correntes que aprisionavam minha mente e que me aprisionavam a mim mesmo.

A volta pra casa nunca é fácil.

 

Saio às 18:00, ainda é cedo, o céu ainda está claro, seria um desperdício voltar pra casa sem tomar uma.

 

O bairro da Liberdade é lindo. Quando saio, respiro o ar semi-poluído de um dos bairros mais bonitos de São Paulo, basta que meus pés toquem a calçada porta afora que sinto meu corpo se encher de juventude.

 

Tenho apreciado muito minha própria companhia, bebendo sozinho quase que diariamente, estreito meus laços comigo mesmo e com o alcoolismo.

 

Apesar das mudanças, tem sido dias calmos.

 

Não trabalho com metas ou produção, só preciso entregar um serviço bem feito, leve o tempo que for. Esse é o ponto alto pra mim.

 

Estou rodeado de pessoas bem humoradas e dispostas a me ajudar, depois de muito tempo, me sinto acolhido de novo no ambiente de trabalho, sinto prazer em trabalhar.

 

Como vocês bem sabem, sou inimigo da ideia de autossuficiência, isso não existe na nossa sociedade, mas eu parti meu raciocínio (não só para a criação desse texto, mas para uma mudança do meu mindset) da premissa de que: Não é soberba ou autossuficiência ilusória eu saber o meu devido lugar (e me colocar lá).

 

Isso me levou a destrinchar essa ideia durante essa semana que se passou, e ficam aqui registradas minhas reflexões acerco dessa pauta.

 

Coloquei fim numa relação que não tinha prospecção, aliás, tinha, mas iria demandar minha alma e muitos cigarros. Sinto falta dela, não vou mentir, mas é melhor assim; vida que segue.

 

Ninguém mais me entende ou me reconhece, eu me envolvi num emaranhado de fumaça, depressão e sentimentos não verbalizados, tudo diluído numa expressão enraivecida que só não aparece quando estou com o Gustavo e a Debora.

 

Aprendi a colocar cada pessoa em seu lugar de novo, e não tenho mais oferecido empatia a quem não merece, não tenho mais jogado pérolas aos porcos.

 

Sem sono eu penso e penso e penso e penso e penso… Dormir é fábula por aqui, a palavra descanso está quase extinta do idioma local, mesmo quando durmo algumas horas, descanso não há. Que seja, deixo pra descansar quando morrer.

 

Nessa semana estive usando o twitter, percebi que ninguém nunca está feliz com nada. Eu já sabia disso, mas aqui fica tudo concentrado e sintetizado (só faltaram os gráficos para análise e conclusão).

 

A real é que sempre vai ter um bilhão de pessoas prontas para te contrariar e te julgar.

 

No fim das contas, a solução é você fazer o que quiser e foda-se todo mundo, sua vontade já foi feita e o que vem depois disso é história pra boi dormir. Não há nada que desfaça o que já foi feito, nem as opiniões de peritos em todos os assuntos.

 

As consequências também são suas, por isso pense bem antes de agir em prol dos próprios interesses, um bom egoísta leva em consideração os danos finais, e sabe muito que os encargos (assim como os benefícios obtidos) serão só dele.

 

Esteja pronto também para ficar só, e acho que isso aqui não precisa de explicação. Quando penso nesse último parágrafo, ironicamente eu penso muito em inveja e no que ela significa, não sei se algum dia alguém chegou a sentir inveja da minha realidade miserável, mas sinto que há um link entre as duas coisas.

 

Basta que se valorize e que tudo comece a dar certo pra você por conta da sua mudança que logo se verá só, isolado dos demais, malvisto e malfalado, mas acho que isso aqui já é viagem minha, perdão, eu divaguei...

 

Enfim, uma outra conquista pessoal minha também foi assumir o controle do meu próprio leme, isso me dá um poder imenso que eu não tinha há tempos. Não sou obrigado a lidar com nada nem ninguém, fico onde eu quiser ficar, na companhia de quem eu quiser, e felizmente, minha sina não é agradar a todos; isso é libertador.

 

Isso não me dá aval pra ser um imbecil egocêntrico que só age pelo próprio interesse sem ponderar nada, eu pondero, mas se na soma final eu for sair prejudicado ou meu benefício não for equivalente ou superior ao meu empenho e dedicação em prol de algo, eu simplesmente viro minhas costas e saio andando.

 

Posso dizer tranquilamente que não me humilho mais por atenção de ninguém, não vou mais me submeter a ridicularizações que eu mesmo me causava/submetia, situações que eu precisava me diminuir pra caber, contextos em que eu me sentia mal por estar inserido, e que não podia sair (ou que não sabia como).

 

Em resumo, “Eu estou muito bem sozinho, obrigado!”.

 

Me voltar pra dentro de mim me libertou, foi a melhor coisa que eu pude fazer por mim mesmo. Eu não sei quanto tempo isso perdura até que eventualmente eu precise me ridicularizar novamente, mas se eu o fizer no futuro, farei consciente de que faço por algum interesse. A habilidade da auto preservação é aprendida, como andar de bicicleta, não se desaprende, e agora que percebi o meu valor, eu duvido muito que passe a me desvalorizar novamente.

 

Uma nova semana vai começar, promete ser extensa e cheia de desafios; não me assusta. Tenho muita vontade, tenho minhas motivações, tudo que me mantém no meu eixo, e não pretendo deixar nada de fora disso me abalar.


Praça Roosevelt recebe a cultura do "duas hoje" numa segunda-feira.




Um trago num dia aonde paz não foi uma opção dentro da minha cabeça.

 

Que a semana de vocês seja amena.

Com a mente sob controle (por enquanto);

inconstante.

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