Distanciamentos longos como o sofrimento - Objetivos curtos como cigarros.

A melhor forma de lidar com a morte é estabelecer objetivos de curto prazo.

 

Não tenho mais tempo pra lidar com qualquer coisa ou pessoa que destoe dos meus objetivos.

 

Quem não me acompanha, infelizmente vai ficar pra trás. Atualmente, a única pessoa no mundo que eu tenho paciência e disposição é o Gustavo. Pessoas fazem o que fazem sem considerar nada e nem ninguém, ele é a única pessoa que ainda olha para além de si que eu conheço, isso tem muito valor pra mim.

 

Tenho evitado o senso de estética, tenho evitado quem reclama, tenho evitado quem só enxerga a si próprio e suas próprias capacidades e tenho evitado sobretudo quem negligencia a mudança; o incômodo constante é a premissa pra me ter por perto.

 

Tenho evitado egocêntricos e narcisistas porque é dessa ideia que tenho tentado me afastar; essa já é uma luta antiga. Acredito que podemos sim influenciar o ambiente, mas acredito que o ambiente também nos influencia, e se não o faz, nos esgota, cansa remar contra a maré; cansam repetições que te esgotam e não te trazem retorno.

 

Prometi a mim mesmo que não escreveria mais desabafos até que algo mudasse dentro da minha cabeça; um consenso implícito. Até então, minhas propostas eram muito simplórias, mudanças sutis em hábitos e ressignificações simples, o suficiente para uma continuidade mórbida.

 

Problemas são como quebra cabeças, e pra montá-los, muitas vezes é necessário espalhar as peças, dividir para conquistar, às vezes a bagunça é necessária, sem ela não há organização, às vezes também é necessário desmontar tudo e começar do zero, mas o importante é não desistir de montar, acredito nisso.

 

Meu ímpeto ultimamente tem sido muito mais agressivo com relação a mim mesmo, tem muitas coisas em mim que me incomodam e que me fazem mal, e isso não vai continuar comigo; leve o tempo que for.

 

Tenho tentado trabalhar minha carência, de forma que tem sido muito mais suportável pra mim a ideia de estar só.

 

Sempre senti muita necessidade de ter alguém, de encontrar acolhimento numa parceira, de poder deitar e relaxar no peito de alguém que me entende tão bem que nem vai me mandar mensagem no dia seguinte.

 

Abri mão desse prazer porque isso não vai me levar a lugar nenhum, nunca levou, só a um desperdício monumental de tempo e energia.

 

Recentemente conheci pessoas legais e as deixei ir embora por puro capricho, sempre muito fácil desistir quando qualquer coisa destoa das minhas expectativas, como uma criança, dobro minha realidade aos meus caprichos, - Pense o que quiser, mas pasme: eu posso fazer isso. - e quem consente é no mínimo louco; eventualmente sou grato por existirem pessoas loucas o suficiente.

 

Por um bom período me abstive de qualquer relação, desde o grau mínimo até relações sexuais, me fechei por completo.

 

Uma vantagem da abstinência é poder reviver alguns sentimentos como se tivessem sido inéditos. Pude experienciar ansiedade e nervosismo antes de sair com alguém de novo, pude ficar nervoso de novo para roubar o primeiro beijo, fui muito mais caprichoso com as impressões e com a forma que iria me portar, entrei em jogos de sedução e estava sentindo falta disso.

 

Quando você banaliza esse tipo de coisa, ela perde o valor, se torna comum sair com várias pessoas e transformá-las em estatística, ser conduzido e conduzir ao objetivo mútuo e único que é o sexo(a) e o fim(b).

 

Definitivamente não quero voltar pra isso, luto por limiares maiores, saturações menores, por paciência e sabedoria.

  

Por falar em paciência, tenho tentado ser menos explosivo e agressivo. Nisso, não tenho tido muito êxito.

 

Meu limiar de paciência é imenso pra algumas coisas e ridiculamente pequeno pra outras, coisas que muitas vezes acabam com o meu humor e com o meu dia (mesmo sendo mínimas), adivinha qual é mais recorrente...

 

Esses dias, derrubei meu café pela manhã, ao tempo que bati meu cigarro e ele apagou, xinguei a mim mesmo, a Deus, ao Bolsonaro e ao fabricante do cigarro; nessa ordem. Decidi nesse momento que meu dia tinha sido arruinado ali mesmo, às 8 da manhã.

 

Isso tem me sido altamente prejudicial, e precisa ser controlado, perdi a conta de quantos dias eu mesmo arruinei pelas razões erradas, minha falta de tesão em estar vivo drena minha alma e qualquer felicidade; isso me mata diariamente.

 

São despejos de um deprimido, e a culpa é da minha saturação. Sabe quando você praticamente deixa seu chefe cagar na sua boca mas não aceita que alguém na sua casa tenha acabado com o seu shampoo ou comido o danone que você tinha deixado na geladeira pra comer quando tivesse vontade? Então.

 

Minha ação vem só quando está atrelada a uma obrigação, se eu tenho opção, não faço, nada que seja em função de mim mesmo acontece; desisto antes mesmo de tentar. Isso me poupa, mas me faz perder cada vez mais o interesse, talvez seja esse um ponto que eu precise mudar.

 

No contexto social, o sentimento é de não pertencimento (como sempre), desamparo completo, olho pra tudo e todos com desdém, e não há nada que me prenda numa relação ou num lugar porque meu interesse tem sido nulo com relação ao mundo externo.

 

Não quero frequentar grupos, não quero parear minhas preferências com ninguém, não quero que saibam minha opinião sobre nada, me resguardo a minha insignificância, não é tão interessante assim.

 

Volto a sensação familiar de que quando alguém ouve algo sobre mim, fala algo sobre si em retórica, mesmo que eu não tenha perguntado, todos querem o microfone e o holofote, e eu não faço questão, então tenho deixado que falem enquanto escuto e aumento meu repertório que me faz odiar tanto todo mundo.

 

Morte ao ego.

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