Fome e abandono - o desmame da vida adulta; um seio farto de cachaça e sofrimento.

Deixo a chuva me molhar, escorrer pelo meu rosto e levar qualquer ideia dispensável que esteja consumindo minha cabeça.


Não tenho tido muito sobre o que escrever porque aprendi a lidar com boa parte dos meus problemas psicológicos, os quais eram meus maiores geradores de conteúdo para o blog.



Em fevereiro eu provavelmente me mudo. O evento mais esperado dos últimos tempos está mais palpável do que nunca, e minha dedicação tem sido integral para esse objetivo.



O Gustavo e a Debora são a minha nova família, uma família que eu constitui com muito esmero.



Apesar do repertório e da malícia, meus planos são inocentes, e uma criança que despreparada dá a cara a tapa, só pode voltar cheia de hematomas e com lágrimas nos olhos; procurando por sua mãe.



Dúvidas primárias já não me consomem, não me preocupo com rotina, tarefas domésticas, ritmos frenéticos e problemas sem solução; tudo tem solução.



Nos últimos meses aprendi que pra tudo tem um método eficaz e aprimorável, eu sempre soube disso, mas não aplicava na minha realidade psíquica. Com a faca e o queijo na mão eu estava, até agora, cortando tomates pra fazer uma feijoada; tudo errado.



Atribuí nomes aos meus demônios e tenho os controlado bem, sigo em uma luta mais silenciosa, aonde meu interior fantasioso só existe internamente (de onde ele nunca deveria ter saído).



Se alguém me conhecesse hoje, não faria ideia das minhas parcelas psicológicas, porque eu aprendi a ocultar esse cadáver, que antes me seguia como um encosto que todo mundo conseguia ver; me ridicularizando.



Chutei algumas memórias para poder seguir em frente, joguei-as no fundo do mar e agora remo com mais dois companheiros em busca de Atlântida.



Não sei se vamos encontrar, eu não espero nada além do que a nossa realidade que já é moldada e integral.



Com essa mudança eu passo a fumar e beber muito mais, o meu freio sempre foi minha mãe, que me obrigava a ter um apego a vida cuja qual ela aprecia muito mais do que eu.



Eu sinceramente não me importo se eu ficar doente ou eventualmente morrer numa tarde de terça feira, estou realizado e me sinto satisfeito com o rumo que estou tomando; morro completude.



Muita coisa vai mudar sem nada mudar, e metade desse caminhão de mudança infelizmente ainda é composta de memórias e demônios, por mais que eu tente, não consigo me livrar deles por completo.



Estou bem porém na sombra, não há luz ou esperança nesse quarto, há felicidade parcial e entretenimento líquido, entorpeço minhas pulsões e torço pra que elas não me consumam rápido demais.



Nunca fui muito vaidoso, mas o pouco de vaidade que eu tinha eu deixo de lado, junto com qualquer outra virtude que não seja a paciência.



Só meus pecados me acompanham, com a natureza de minha existência falha e miserável, escravizado pelos meus desejos básicos eu sigo escorregando por esse funil inevitável.



Estou feliz e ao mesmo tempo deprimido, por conta disso não consigo ficar ansioso e completamente feliz, vejo isso como uma rosa que desabrocha e preenche a clareira com seu perfume e suas lindas cores e no instante seguinte, é podada por um velho raquítico com uma foice e um cigarro.



Não existe provação que seja eterna, não existe prazer que seja duradouro, não existe superação constante, não existe satisfação, nossos anseios são infinitos e em mim só há tristeza, dor e transtornos que eu (de forma maníaca) escondo com um sorriso sincero.



Vai achando que ta bom.



Uma hora minha casa cai.



Conturbado;

Inconstante.





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