Esboço na metrópole, dores que doem no transporte público.
tudo que eu sinto e vejo
tudo que penso transcrevo
tudo que eu sou inteiro nunca meio sem rodeio
e um terço do que eu vejo
nunca soma um inteiro
ponto de vista certeiro
conclusivo nunca é meu devaneio
realidade alterada
tudo sabe sobre o nada
nada que é tudo
tudo que quase nunca me basta
nunca é sempre
e o pra sempre é pra frente
no contraste do presente
mostra que o pra sempre acaba
no passado ficam todos os enfados
todo caso que já foi encerrado
que me fez sofrer calado
num quarto semi arejado e mofado
poderia ficar enterrado
mas sempre me causo esse estrago
cutucar o cicatrizado
pra que haja o aprendizado reciclado
e esse quadro eu sigo pintando
sozinho
vou seguindo meu caminho
definindo que o que eu sinto
é individual, subjetivo, natural
orgânico, sigo seguindo meu instinto
eu considero todas as perspectivas
todas as realidades
há sempre uma chegada e uma partida
sempre um objetivo
sempre uma intenção
por trás de cada fala, cada gesto uma verdade
nem sempre sensata, às vezes abstrata
e às vezes oculta ao interlocutor
que sequer deu valor
ao peso das palavras que profere
o prolixo que causa dor
nunca sentiu amor
só pensa no fervor
de demonstrar falar de si
e constantemente se expor
pra mostrar o seu ponto
e validar o monstro
que socialmente terá seu valor
me perco em cada estrofe cada linha
retilínea sinuosa como a vida
com bifurcações e esquinas
que se malvividas
te jogam nas mazelas dos subúrbios
chafurdados em pecados
que agora te contaminam
chafurdado até o último fio de cabelo
tal qual sua pureza
que já não vive mais que ficou pra tras
junto com a esperança de um futuro promissor que queriam os seus pais
tudo que eu sinto é tristeza
sitiado pela dor
tristeza aqui é mato
sigo com meu ódio e perspectivas alteradas pelo meu rancor
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