O gorro do papai noel, não serve na cabeça de quem já aprendeu a fórmula de Bhaskara.
Tudo é visto de determinada
ótica, de um determinado ponto, com determinadas considerações, por pessoas
diferentes em diferentes faixas etárias, em diferentes países, pertencentes a
diferentes classes sociais, etnias e orientações sexuais, tudo pode ser relativizado,
qualquer pauta terá um defensor de prontidão.
Isso tudo me fez sentir pequeno
hoje.
Da minha perspectiva crítica,
pouco paciente e agressiva, muitas coisas vem com saturação prévia, já estou
cansado de muita coisa sem sequer saber do que se trata, basta que eu ouça
sobre pra explodir em desdém e crítica.
Ando sem paciência, tenho estado
cansado.
Estou tão cansado que me esqueço
que todo mundo está, e que minha raiva não ajuda.
Mas recentemente escrevi um texto
dizendo que não consigo me livrar dela, ou seja...
Meus dias tem sido cheios, mesmo
os mais vazios, sempre estou exausto, seja por trabalho ou por uma parcela
psicológica, algumas coisas me acalmam, algumas pessoas me acalmam, algumas
coisas desviam minha atenção, mas é tudo temporário, como se andassemos na
mesma calçada em algum momento eu apertasse o passo e fosse pro meio da rua sem
olhar pra trás, até perder de vista quem estava comigo.
Eu realmente não sei mais o que
fazer.
Sigo meus dias cumprindo tabela,
adiando minha inevitável morte precoce que demora horrores a chegar.
Meus amigos, que agora moram
comigo tem me feito muito bem, supervisão constante, companhia, cumplicidade,
fazem com que eu me sinta parte de algo, mas ainda assim, me saboto e tenho até
considerações sobre a saturação deles comigo, levando ao fim inevitável da sociedade,
eu estou fadado a sempre ficar sozinho; não sei se aguento esse fim.
Achei na Maria um abrigo, é
reconfortante ter ela por perto, ela me acalma, me traz a paz que há tempos não
sentia, me traz resolução, me faz dormir bem, me relaxa, tenho medo desse fim
também, ela também tem a parcela dela, e eu vou acabar estragando tudo.
Ela me despertou um
questionamento sobre minha espiritualidade, sempre negligenciei isso, achei
bobagem, acreditei que não existia, mas isso tem me batido na porta com força,
e está difícil desviar quando tudo conduz a isso, vai se foder mundo
espiritual, me deixa em paz.
Tenho sempre a sensação de estar
perdido, não importa a direção na qual eu caminhe, não importa meu objetivo ou
o que eu almeje, parando pra considerar, nada faz sentido e isso me desmonta
toda vez, não tenho forças pra lutar pelo que não vejo sentido, é como eu disse,
estou cumprindo tabela, estou por estar mesmo e tanto faz pra caralho.
Gostava de observar as pessoas na
rua, pensar sobre o que elas estavam pensando, sobre o que as aguardava em
casa, sobre como seria conviver com elas sem conhecê-las, eu costumava colocar
minha cabeça pra pensar, mas nem isso faço mais.
Não há férias ou repouso
suficiente pra me transformar nesse cara de novo e tenho sido uma péssima
companhia, pareço agradável no começo, mas a mentira tem perna curta, e logo se
vê que tudo não passava de uma fachada pra eu desperdiçar o seu tempo e o meu
com a minha companhia de bosta.
Tenho ouvido muito uma música, “Vamos
dar uma volta” – Irmão Victor.
“Ouvi Dizer
Que teu cachorro não te cumprimenta mais
E eu sei que você não gosta de musica velha
Mas eu tenho um CD dos Beastie Boys
Num carro que não é meu
Vamos dar uma volta
O gorro do papai noel não entra na cabeça de quem já aprendeu a formula de
Bhaskara
Já saiu a noite e já deitou na cama com alguém
Crescer é uma merda
Tudo se paga
Vamos dar uma volta...”
Meu cachorro não me cumprimenta
mais, e o gorro do papai noel não entra na minha cabeça já tem um tempo também.
Sem mais considerações, só
reclamações depois de uma semana cheia, um mês cheio, um ano (que ainda está em
março) cheio, uma vida cheia; tudo cheio.
Faltam exatamente 1 ano, 62 dias, 23 horas, 59 minutos e 4
segundos.
Morto por dentro, tristeza aqui é mato.
inconstante.
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