O gorro do papai noel, não serve na cabeça de quem já aprendeu a fórmula de Bhaskara.

Tudo é visto de determinada ótica, de um determinado ponto, com determinadas considerações, por pessoas diferentes em diferentes faixas etárias, em diferentes países, pertencentes a diferentes classes sociais, etnias e orientações sexuais, tudo pode ser relativizado, qualquer pauta terá um defensor de prontidão.

 

Isso tudo me fez sentir pequeno hoje.

 

Da minha perspectiva crítica, pouco paciente e agressiva, muitas coisas vem com saturação prévia, já estou cansado de muita coisa sem sequer saber do que se trata, basta que eu ouça sobre pra explodir em desdém e crítica.

 

Ando sem paciência, tenho estado cansado.

 

Estou tão cansado que me esqueço que todo mundo está, e que minha raiva não ajuda.

 

Mas recentemente escrevi um texto dizendo que não consigo me livrar dela, ou seja...


"Para os outros, o universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. 

É por isso que temem a obscenidade. Não sentem nenhuma angústia ao ouvir o grito do galo ou ao descobrirem o céu estrelado. 

Em geral, apreciam os “prazeres da carne”, na condição de que sejam insossos. 

Mas, desde então, não havia mais dúvidas: eu não gostava daquilo a que se chama “os prazeres da carne”, justamente por serem insossos. 

Gostava de tudo o que era tido por “sujo”. Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com a devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura.

A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que imagino em sua presença e, sobretudo, o universo estrelado… 

(Georges Bataille – História do Olho)"

 

Meus dias tem sido cheios, mesmo os mais vazios, sempre estou exausto, seja por trabalho ou por uma parcela psicológica, algumas coisas me acalmam, algumas pessoas me acalmam, algumas coisas desviam minha atenção, mas é tudo temporário, como se andassemos na mesma calçada em algum momento eu apertasse o passo e fosse pro meio da rua sem olhar pra trás, até perder de vista quem estava comigo.

 

Eu realmente não sei mais o que fazer.

 

Sigo meus dias cumprindo tabela, adiando minha inevitável morte precoce que demora horrores a chegar.

 

Meus amigos, que agora moram comigo tem me feito muito bem, supervisão constante, companhia, cumplicidade, fazem com que eu me sinta parte de algo, mas ainda assim, me saboto e tenho até considerações sobre a saturação deles comigo, levando ao fim inevitável da sociedade, eu estou fadado a sempre ficar sozinho; não sei se aguento esse fim.

 

Achei na Maria um abrigo, é reconfortante ter ela por perto, ela me acalma, me traz a paz que há tempos não sentia, me traz resolução, me faz dormir bem, me relaxa, tenho medo desse fim também, ela também tem a parcela dela, e eu vou acabar estragando tudo.

 

Ela me despertou um questionamento sobre minha espiritualidade, sempre negligenciei isso, achei bobagem, acreditei que não existia, mas isso tem me batido na porta com força, e está difícil desviar quando tudo conduz a isso, vai se foder mundo espiritual, me deixa em paz.

 

Tenho sempre a sensação de estar perdido, não importa a direção na qual eu caminhe, não importa meu objetivo ou o que eu almeje, parando pra considerar, nada faz sentido e isso me desmonta toda vez, não tenho forças pra lutar pelo que não vejo sentido, é como eu disse, estou cumprindo tabela, estou por estar mesmo e tanto faz pra caralho.

 

Gostava de observar as pessoas na rua, pensar sobre o que elas estavam pensando, sobre o que as aguardava em casa, sobre como seria conviver com elas sem conhecê-las, eu costumava colocar minha cabeça pra pensar, mas nem isso faço mais.

 

Não há férias ou repouso suficiente pra me transformar nesse cara de novo e tenho sido uma péssima companhia, pareço agradável no começo, mas a mentira tem perna curta, e logo se vê que tudo não passava de uma fachada pra eu desperdiçar o seu tempo e o meu com a minha companhia de bosta.

 

Tenho ouvido muito uma música, “Vamos dar uma volta” – Irmão Victor.

 

“Ouvi Dizer
Que teu cachorro não te cumprimenta mais
E eu sei que você não gosta de musica velha
Mas eu tenho um CD dos Beastie Boys
Num carro que não é meu
Vamos dar uma volta
O gorro do papai noel não entra na cabeça de quem já aprendeu a formula de Bhaskara
Já saiu a noite e já deitou na cama com alguém
Crescer é uma merda
Tudo se paga
Vamos dar uma volta...”

 

Meu cachorro não me cumprimenta mais, e o gorro do papai noel não entra na minha cabeça já tem um tempo também.

 

Sem mais considerações, só reclamações depois de uma semana cheia, um mês cheio, um ano (que ainda está em março) cheio, uma vida cheia; tudo cheio.

 

Faltam exatamente 1 ano, 62 dias, 23 horas, 59 minutos e 4 segundos.

 

Morto por dentro, tristeza aqui é mato.

inconstante.

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