Supressão ritmica - Distanasia dos que amam o fudido.
Minha cabeça me espanca; e como isso dói.
Meu silêncio ensurdecedor me enlouquece.
Só consigo soltar frases curtas.
Eu estou cansado.
Eu estou doente.
Obrigado a todos que tentam me ajudar, eu não posso ser
ajudado, já aceitei minha falta de perspectiva, eu não penso no futuro, só a
ideia de ter um me dá nojo, vontade de vomitar, eu não quero mais isso.
Não existe beleza, não existe tempero, não existe paisagem,
não existe por do sol, não existe amor, não existe gratidão, não existe
textura, não existe ressignificação, não existe completude, não existe
liberdade, não existem acordes, não existe felicidade, não existe paz, não
existe descanso, não existem boas intenções, não existem best sellers, não
existem listas, não existe companhia, não existe acalento, não existe mais colo
materno, não existe porto seguro, não existe sossego, não existe calma, não
existe paciência, não existe sentido, não existe Deus, não existe papai noel ou
fada do dente.
Ainda me resta uma dúvida se o coelho da páscoa trará minha
morte numa embalagem de kinder ovo que custa R$80,00, “brinquedinho, que
decepção” é o que me vem sempre que paro pra pensar na minha existência; que
decepção.
Sério, existe algum motivo pra vocês estarem aqui além de
benevolência, acham que podem me ajudar?
Lembrem-se, antes de ajudar um fudido, saiba que ele está
fudido.
Um fudido é sempre um fudido.
Que desgosto.
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