Ausência paterna, o prelúdio do limbo.

Não falo muito sobre isso; esse ano decidi escrever.

 

A vocês que lêem, espero ser claro e não ouvir mais nenhuma pergunta sobre isso.

 

Todos os dias do meu aniversário me açoitam, todos os anos a mesma coisa. Basta que a data seja avistada no horizonte pra que minha cabeça comece a sucumbir.

 

Meu pai morreu, e deixou um buraco gigantesco no meu peito e outro na minha cabeça. Tudo que passei desde então foi só sofrimento (embora eu fosse muito novo pra entender), sabia que minha mãe movia o mundo pra prover o básico pra mim, e às vezes ela nem isso conseguia, sei o que passamos, a humilhação e a dificuldade, o pior lado de uma pessoa que sabe que você precisa dela; a fome.

 

Quero deixar clara aqui a mensagem aos meus avós que abusaram da vulnerabilidade da minha mãe e de toda a situação pra transformar ela numa escrava, eu quero muito que vocês se fodam, eu vou remoer o ódio que eu sinto por vocês pro resto da minha vida nas minhas entranhas e morrer satisfeito por desejar o mal de cada um de vocês todos os dias, seus filhos da puta.

 

Felizmente muitos de vocês já morreram, e ainda assim, quero que saibam que ainda os odeio e que meu rancor NUNCA vai passar, estou satisfeito e conformado com isso, aos que restam, desejo todas as doenças e os mais variados tipos de câncer, desejo que sofram muito e morram na miséria, da pior forma possível, com muita dor.

 

Todas as vezes que paro pra pensar nisso eu sinto que vou pegar fogo, passo mal, tenho crises, e só ficando bêbado mesmo pra aguentar a carga psicológica que isso me gera.

 

Nessa data (mais do que nos outros dias) me sinto, pequeno, ridículo, humilhado, envergonhado, sozinho, abandonado, podre, corrompido, acoado, ameaçado, amaldiçoado, e não tem uma pessoa sequer nesse mundo que possa me consolar e matar esse demônio que me visita todos os anos nesse período.

 

Eu já superei a morte do meu pai, mas estou longe de superar o buraco que isso deixou, e de superar o que eu vi e vivi por consequência disso.

 

Desde pequeno eu vi a pior face do mundo, o pior lado das pessoas, e vi que muitas pessoas sentem prazer em fazer o mal deliberadamente, só pra se sentirem no controle ou extraírem vantagem de alguma situação. Sei que nem todos são assim, mas sou incapaz de distinguir intenções uma vez que todos ocultamos muitas coisas a todo momento, então nem me dedico a isso e simplesmente odeio todo mundo por igual.

 

Eu não consigo confiar em ninguém, e estou sempre enxergando segundas intenções por trás de cada palavra e cada ação, vejo maldade no ar, sinto o cheiro de arrogância e narcisismo de longe, precedo a violência e me adianto com o dobro de violência pra que saibam que não me falta disposição pra dar a minha cara pra apanhar e que também to aqui pra bater, mas que venham prontos porque eu tenho o demônio no corpo.

 

Hoje, dia 19, já me sinto mal, e quero morrer mais do que nunca.

 

Se aproxima um dia que deveria ser normal, um dia comum, e era o que eu gostaria que fosse, mas nunca é, preciso lidar com ligações de pessoas que não falam comigo há meses e que de repente decidiram se importar e lembrar que eu existo, preciso aturar tapinhas nas costas e falsas felicitações de quem não me quer bem de verdade.

 

Peço desculpas aos que me congratulam de coração, mas não consigo os distinguir na multidão, porque estou com raiva e acoado, não vou deixar ninguém chegar perto; ninguém.

 

Aviso de antemão que vou desligar meu celular, vou sumir, não me procurem, não se programem, não planejem nada, eu não quero nada, eu quero que se foda.

 

Entendam que isso não é sobre vocês e sim sobre como me sinto, e eu odeio esse momento, eu odeio esse dia, minha existência é um erro, um desperdício, e eu sinceramente não queria estar aqui passando por isso pela vigésima sexta vez.

 

Estar vivo é um fardo horrível e eu estou cansado; eu estou muito cansado.






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