Virtude x Sociopatia - Raiva frente ao chorume que é a humanidade esdrúxula.

Não vou revisar esse texto, ele veio pronto na minha cabeça e eu quero que se foda.


Paciência é uma virtude.

 

Acredito que por muitos adquirida, são raros os que nascem com ela, que a carrega consigo no decorrer da vida, é necessário muito pra ter essa virtude, muita empatia, muita dedicação, muito esforço, ausência de agressividade, impulsividade e ansiedade.

 

Paciência pode ser adquirida com o passar do tempo, quase como um exercício diário, entender que nem tudo sai de acordo com o que esperamos, de acordo com o que queremos, as pessoas quase nunca farão o que esperamos, pois não agem de acordo com os nossos parâmetros, e sim de acordo com os delas. De maneira geral, podemos atrelar paciência a expectativas e controle (e a necessidade dele) acho que no cotidiano da maior parte das pessoas, essa é a forma que a paciência precisa ser mais lapidada.

 

Também existem outros contextos que ficam em segundo plano, mas que não deixam de ser importantes, como lidar com animais e crianças, que são criaturas primitivas que jamais vão agir de acordo com o que se espera, dependem integralmente de você e necessitam da sua compreensão integral também.

 

A paciência também é exigida em processos organizacionais, metodologias, vida acadêmica, obtenção de conhecimento, um treino na academia, e qualquer outro contexto estrutural, que demanda tempo, tem etapas e precisa de um esforço seu pra progredir de acordo com o objetivo estabelecido. Tudo tem um tempo certo pra acontecer, não como acaso ou destino, mas porque você está pronto o suficiente, ou porque a data chegou, ou o cargo está disponível, enfim, essa é uma das vertentes da paciência que eu consigo enxergar.

 

Sobre essa pauta, tenho me esforçado muito em prol do exercício da minha paciência. Nos últimos dias entendi (o óbvio que não era óbvio pra mim), que preciso canalizar minha raiva. Eu sou uma pessoa colérica, e utilizo de agressividade e raiva pra desempenhar até a função mais básica do meu cotidiano, já falei muito disso aqui no blog e não vou me aprofundar nisso nesse texto.

 

Eu não exonero essa conduta da minha vida, ser colérico faz parte da minha personalidade, mas percebi que mesmo tendo uma fonte inesgotável de raiva, exercer essa raiva ainda assim me exaure,  psicológica e fisicamente, a realidade nunca vai acompanhar meus impulsos, uma vez que eles vem do meu id e não tem fim.


Pela primeira vez em muito tempo, resgato minha individualidade, e começo a pensar mais no meu próprio umbigo, afinal, até o presente momento, minha política de boa vizinhança (quando exercida), só fez com que cagassem na minha boca.


A impressão que tenho é que quando você ajuda alguém e faz algo por essa pessoa, ela permite que isso se repita e aconteça novamente por incontáveis vezes, conduzindo você a um ciclo de subserviência, se pudesse dar um conselho, pense em si mesmo e não ajude ninguém, esse papo de empatia é conversa fiada de algum fraco preguiçoso que não aguenta o tranco do mundo.


Estenda uma mão e verá que pedirão um braço, uma perna, seu pescoço, seu tempo e quiçá sua alma.


Ou talvez seja só minha frustração falando, da minha boca não sai nenhuma verdade absoluta, levem o que julgarem de valor desse monte de bosta que eu escrevo.

 

Enfim; eu decidi agir diferente.

 

Algumas situações, pessoas e contextos merecem minha completa indiferença, posso me retirar de vários cenários e ficar ali apenas fisicamente, e isso não é tão doloroso (consigo fazer isso, já desperdicei meu tempo com coisa pior) e quando for necessário, terei toda a minha potência de ação disponível pra agir de forma incisiva.

 

Não posso enfrentar tudo e todos, e não posso dar muita importância pra coisas pequenas; tenho tentado me lembrar disso todos os dias, todas as horas, minutos e segundos.


Essa epifania tem me ajudado a exercitar minha paciência de uma forma diferente do que a maioria das pessoas, parece que todo mundo tem um limiar muito maior do que o meu pra lidar com qualquer contexto, fico impressionado com como algumas pessoas conseguem ser sonsas, mesquinhas, indiferentes, imparciais, egocêntricas e sobretudo, invejo aqueles que conseguem chorar e ficar bem após isso, minhas mágoas ressoam em minhas vísceras por dias, meses, anos, às vezes nunca param de ressoar, como um veneno que me corrói e me aproxima da minha tão almejada morte.

 

Me incomodam mais do que nunca, pessoas incompetentes, que se limitam a uma existência mais medíocre que a minha, que estão sempre cansadas e não fazem nada pra mudar isso, que esgotam seu potencial de ação, que me impelem a reclamar da minha realidade de forma simbiótica, que não se incomodam com algo mínimo - mas que deveriam - a elas dedico meu exercício de paciência; porque é foda.

 

Cada um tem seu tempo, e preciso entender que não posso forçar um aprendizado de ninguém e que também não podem forçar o meu, só preciso deixar as coisas fluirem e entender quando vai ser necessário bater o martelo e se essa tarefa me compete ou se vai ser da alçada de outro.

 

Se necessário, sem medo, visto meu manto de crítica e me torno o algoz, porque essas pessoas, mesmo que inconscientemente me fazem mal, e eu mesmo tentando ser compreensivo, estou guardando meu rancor pra devolver na hora certa, sem dó, retribuo todo dano a mim causado, não sou Jesus e meu ímpeto é de ser mais paciente e não de aprender a perdoar; nunca fui tão capaz de ser filho da puta quanto agora.

 

Me resguardo pra evitar os danos multidirecionais que tentam me dilacerar e limar minha vontade de existir, se eu posso fazer, simplesmente vou e faço, não discuto, se não consigo eu desisto, alguém vai fazer, se não quero não faço, se penso, digo, se gosto, digo também, minha vida está muito mais nítida porque cansei dos estereótipos e arquétipos que se atrelavam a minha imagem.

 

Vomito toda a estética e mais do que nunca foco em ser quem eu sou, puro, cru, quem gostar bem, quem não gostar foda-se, ficarão ao meu lado só aqueles que entenderem minha mudança; e tem uma grande acontecendo.

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