Postergação - Talvez minha dor nas costas seja o peso de suas imbecilidades.
Cansaço.
Mas não como de costume, ele vem
com uma saturação que eu nunca tive antes.
Lerdos, todos lerdos sumam do meu
caminho e me deixem seguir sozinho e rápido no meu frenesi, eu odeio vocês
zumbis que se arrastam pelas estações, morram e saiam da minha frente.
Toquei a campainha de uma casa e
saí andando, um quarteirão depois a moradora saiu, olhou para os lados e
praguejou algo que eu não consegui entender por conta da distância; não tem
mais graça. Como um perturbador da micro-ordem instalada, posso dizer que isso
não é tão engraçado quanto fora outrora, quando eu era criança. Nada mais é
capaz de me entreter como me entretia antes.
Nada é tão maldoso quanto perturbar a ordem de um lar, entretanto, minha intenção maldosa se
dissolve em indiferença e apatia.
Tudo virou um borrão de
desinteresse, as pessoas parecem mais inteligentes, bem informadas, singulares
e capazes do que eram antes, na mesma medida que sua arrogância e seus egos
crescem proporcionalmente e exponencialmente.
Quanto mais interessantes as
pessoas se tornam, menos eu tenho interesse em conhecê-las, minha saturação é
prévia, e explode quando um imbecil verbaliza uma ideia ridícula que parece
ter surgido na cabeça dele, uma ideia inédita na história da humanidade, em 2,5
milhões de anos, ninguém nunca pensou nisso, só este indivíduo iluminado.
Entendo que sou um arrombado
descreditando ideias alheias assim, e que uma dose de paciência me faria bem,
mas simplesmente não tenho cu pra isso, também é uma opção minha manter
distância da sociedade em busca de autopreservação, nada do que vocês tem a dizer
me agrega, nenhuma ideia me apetece, vocês não são interessantes, busquem outro
ouvido porque o meu não é penico.
O pior é que eu aparentemente
tenho cara de ser um bom ouvinte, porque todo mundo se sente no dever de
profanar o meu silêncio e preenchê-lo com palavras vazias e sem sentido.
Tenho me obrigado a socializar
pra ver se melhoro isso, mas todas as vezes me arrependo e penso que deveria
ter ficado em casa.
Minhas costas doem.
Eu não aguento mais esse ritmo,
minha vida está desacelerada e eu estou enfurecido, em slow motion assisto de camarote a
burrice da humanidade com suas pautas, causas e certezas que (novamente) não me
interessam.
Existe um ditado muito popular
que dizia “os incomodados que se mudem” e eu sinceramente só tenho pensado nisso.
Eu não aguento mais estar vivo,
todo esse tempo tenho feito hora extra por causa dos meus amigos, mas a minha
vontade era de morrer e finalmente descansar em paz.
Estive considerando sair do país,
fugir dessa realidade, mas cheguei a conclusão de que só vou ficar deprimido em
solo internacional, nada vai mudar e eu vou continuar me odiando e sendo
medíocre, e pior, passando necessidade (possivelmente).
Estive pensando em ser pai
também, mas percebo o quanto é egoísta colocar uma criança nesse mundo fodido,
por melhor pai que eu seja, não posso privar minha extensão de sofrer e se
foder com todo esse lixo que tem infectado e adoecido o solo.
Estive pensando em muitas coisas,
e tenho listas imensas de motivos para não realizá-las.
Isso não é auto sabotagem (embora
pareça), estive pensando racionalmente nisso, e tudo parece ridículo, tudo
parece perda de tempo, se você realmente considera, nada faz sentido e me
encontro no patamar que estou.
Incapaz de amar, de sentir, de
ser ajudado e ainda mais de me ajudar, ninguém tem esse poder e eu estou
sozinho nesse limbo; apesar das companhias.
Completei meus 26 anos e meu
tempo se esgota, já vi tudo que tinha pra ver e o momento é inevitável,
compreendo cada um que ceifou a própria vida, e admiro, é necessário muito mais
coragem pra desistir do que pra permanecer, é muito difícil lutar contra o
instinto de sobrevivência, principalmente quando se tem âncoras.
Sigo adiando o inevitável.
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