Auto-preservação - Reestruturação sináptica e individualização do eu, reencontro comigo mesmo.
Cheguei em casa.
Sento por um instante para
organizar as ideias; tenho trabalhado demais, tenho dormido muito mal.
Eu estou cansado.
Depois de uma jornada de 10 horas
que se iniciou às 06:00, ainda tenho algumas tarefas a serem feitas para
concluir o meu dia, e eu não posso me dar o luxo de estar cansado, outras pessoas
dependem de mim para que a engrenagem continue funcionando, eu não me importo
de dar 300% do que eu tenho se for pra cumprir com a minha parte; e nem
reclamo.
Tem tanta gente passando por
tanta coisa, coisas horríveis, problemas de saúde, e eu tenho toda a disposição
do mundo pra concluir a parcela que me compete da realidade que me cerca.
Faz tempo que não escrevo sobre
como tenho me sentido.
Ando sem paciência, não no
sentido negativo da coisa, mas no sentido de que cansei de perder meu tempo com
coisas que não valem ele. Os estímulos são muitos, as relações e o network se
fazem muito presentes, as redes sociais me esgotam e a vontade de ser visto e
ter relevância se tornou aversivo.
Não é novidade que ninguém se
importa, mas repetir isso pra mim mesmo todos os dias se tornou meu mantra, um
exercício de amor próprio (coisa que nunca tive), se ninguém se importa, por
que eu deveria? Não digo isso por prepotência ou arrogância, mas todo mundo
está cheio de problemas e questões, e enquanto eu me disponibilizar para ouvir,
aconselhar ou até mesmo ajudar, estou dedicando meu tempo para algo que não vai
me trazer retorno, talvez ajude e faça toda a diferença, e acredite, eu abro
exceções, mas tenho me importado muito mais com o rumo que minha vida está
levando.
O tempo passa depressa e eu perdi
a passada nessa corrida, estou fora de ritmo, descompassado, corri em trilhas
que eram mais longas e íngremes, a dificuldade realmente fortalece e traz
repertório, mas faz meus joelhos e minhas costas sentirem o peso e a pressão do
tempo que está sob meus ombros.
Ainda é cedo para
arrependimentos, e ainda bem que me arrependi agora.
Observei e ouvi demais nos meus
26 anos para chegar no momento do “tarde demais” por teimosia ou burrice, eu já
vi gente errando igual eu, por que repetir? Sei que cada trajetória é
individual, que não existe receita, e que cada pessoa é diferente e lida com as
situações de formas diferentes, mas algumas coisas são óbvias, como o abuso de
cigarro que vai me deixar com câncer ou uso abusivo de álcool que pode me
deixar com cirrose no melhor dos cenários.
Conversas com a minha mãe e com
poucas pessoas mais velhas que admiro me trouxeram algumas reflexões, pensei
naqueles que se foram também, e reuni características que admiro, e outras que
repudio, dessa soma total, subtraio o que me interessa e aplico na minha
própria realidade, chegando um pouco mais perto da versão de mim que eu
acredito ser a melhor, ou próximo o suficiente disso.
Eu conheço marjoritariamente
pessoas com a minha faixa etária, e todos com comportamentos e personalidades
similares, afinal atraímos o que somos né? Boa parte dessas pessoas eu conheci
em um momento diferente da minha vida, e eu mudei agora, não vou afasta-las por
isso, mas definitivamente construo barreiras que nos afastam e impõe limites na
profundidade da relação e no nível de proximidade.
O que quero dizer, é que não
tenho mais tempo pra ouvir gente falando que quer morrer, ou que está cansado,
ou que não sabe o que fazer, queixas nos limitam, e todo mundo pode fazer algo
a respeito do que te incomoda.
Eu já quis morrer, eu já tentei
morrer, mas isso não me apetece mais, e agora eu preciso seguir em frente por
todos aqueles que me cercam, e que eu amo, eu preciso tentar melhorar minha
realidade nem que seja um pouco, pra que o que resta da minha vida não seja um
inferno astral como tem sido até agora; não precisa ser.
Faço isso porque sou muito
sensível a estímulos, e quando alguém diz que quer morrer, mesmo que seja em
tom de brincadeira, isso me puxa pra baixo, eu me lembro que já quis também, e
que em algum momento eu posso querer de novo, e quando paro pra pensar nisso me
perco nas ramificações dos meus pensamentos e quando me dou conta, já estou lá de
novo, naquele lugar frio, escuro e solitário, sorrindo pra afastar os demônios.
Entenda (você que está lendo até
aqui), que todo mundo tem o direito de ficar triste, de reclamar, de ter dias
ruins, fases ruins, e eu não tenho direito nenhum de privar qualquer pessoa
disso, mas posso escolher me expor a isso ou não.
Os problemas são individuais e eu
só consigo lidar com os meus (e olhe lá), então me fecho para questões externas
e foco no que eu consigo pra não me sobrecarregar, hoje reconheço melhor,
quanto peso eu consigo carregar, e me importo menos com coisas pequenas.
Como julgamentos alheios, ou
críticas, que sempre me fizeram sentir inseguro sobre ser ridicularizado pelas
costas, ou negligenciado por alguém que se acha esperto demais para o meio em
que vive.
Eu não me importo mais.
Estou vivendo a minha vida, pra
mim, e se vou ser ridicularizado, humilhado, traído, tirado de otário,
enganado, isso eu resolvo conforme vier, me blindar de tudo isso ficando sempre
puto com tudo e todos consumiu minha energia de forma que me exauriu nesses
últimos anos.
Eu me sinto em um acordo de paz
comigo mesmo, não em paz, mas tentando, e nenhum ambiente ou pessoa que estiver
no meu controle vai ser capaz de influenciar isso, claro que ainda posso ser
roubado, alguém pode adoecer ou qualquer coisa, as possibilidades são infinitas,
mas se eu parar pra considerar tudo que pensam, falam, julgam ou tudo que pode
vir a acontecer vou acabar enlouquecendo (mais).
Hoje eu abro mão.
Me recolho a minha
insignificância, a minha ignorância e trilho meu caminho em busca de algo
melhor pra mim e para os que amo.
Obrigado por me acompanhar.
Busquem a melhora, por vocês mesmos, acredito em todo ímpeto de mudança, somos potências conectadas numa rede consciente coletiva, e nossos cérebros tem potenciais inimagináveis, todo mundo é capaz se quiser o suficiente, isso não é genérico, isso não é auto ajuda, leia de novo, eu estou tão fodido quanto vocês, mas eu não quero ficar aqui, me movo e levo quem quiser vir comigo.
Em processo de cura
inconstante.


Comentários
Postar um comentário