Eu odeio terças-feiras - Um ótimo dia pra morrer ou pra virar fumante.

No meu texto “Artur”, tem uma informação que é uma opinião pessoal minha, do autor; eu odeio terças-feiras.

 

Todos os meus esforços se esvaem.

 

Tem dias que nada faz sentido.

 

Se eu fosse uma pessoa diferente todos os dias, e tivesse que enfrentar realidades diferentes, problemas diferentes, empregos diferentes, eu provavelmente desistiria e deixaria todo mundo na mão; principalmente se fosse uma terça-feira.

 

Me sinto ridículo quando sou otimista com o futuro, acreditando que posso ressignificar qualquer coisa, que posso transpor qualquer obstáculo, que posso fazer exercícios, melhorar minha saúde e melhorar meus hábitos alimentares, me sinto ridículo abdicando dos meus vícios que são tão necessários pra minha saúde mental e emocional.

 

Sou acorrentado a minha própria existência, limitado pela minha mente, amaldiçoado pelo sangue que corre em minhas veias, ridicularizado por Deus e todas as demais entidades e seres de luz e energia, corrompido pela realidade.

 

Não consigo me livrar de mim mesmo, e é um martírio ter que acordar todos os dias sob essa pele e ter que lidar com um milhão de contextos que eu não quero, parece genérico, mas eu realmente sinto que não sou daqui. Não sei de onde caralhos eu haveria de ser, mas definitivamente daqui não.

 

A existência humana, nossas condições e fragilidades são medíocres, patéticas, e me enoja estar misturado nesse bolo fecal, em meio a todos esses parasitas que destroem tudo que tocam; o meu povo.

 

Não consigo mais romper os ciclos e os motivos que me mantém no trilho da sanidade são bem poucos, como sempre tenho seguido por eles, mas se eu perder um desses alicerces eu não sou nada, e essa é definitivamente minha maior fragilidade como indivíduo.

 

Todos os dias dentro daquele maldito metrô, destilando o veneno, de barriga vazia e a mente cheia de neuroses, ouvindo algum vocalista que grita mais alto que minha cabeça eu sigo para o meu açoite diário, a luta por essa maldita sobrevivência insignificante.

 

Dentro de um mar de gente me sinto uma sardinha enlatada, e os peixes podres conseguem apodrecer os que ainda não apodreceram.

 

Cerca de 3 horas do meu dia, 1 ônibus, 11 estações, 6 dias por semana, 26 dias por mês, 5 semanas por mês, 286 dias por ano, 55 semanas por ano, 858 horas por ano, dentro do maldito transporte público, pendurado naquele corrimão que sustenta a sociedade, olhando pra aquele maldito teto branco amarelado, olhando para o mundo do lado de fora do vagão, que não tem nada demais, eu já estive lá, mas que parece tentador quando se está confinado na escravidão moderna; a maldita luta pela sobrevivência.

 

Estou mais uma vez me expondo ao ridículo, sentado de cueca escrevendo esse maldito texto, incurável, perdido, sem direção, questionando o porquê de ter que passar por tudo isso, eu estou exausto.

 

Como já se tornou meu jargão, vou ficar bebado até ser capaz de dormir, porque amanhã tem mais!

 

O amanhã sempre pode ser pior, principalmente se for uma terça-feira.

 

Morto por dentro;

inconstante.

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