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Arthur.

O final de semana: A julgar pela posição da lua, acredito que sejam 22:00, algum horário próximo disso, aprendi a ver as horas pela posição do sol e da lua em um livro que peguei na biblioteca da escola, eu não tinha celular então tive que aprender a me virar de outras formas. Essa noite não houve jantar de novo, minha barriga estava roncando mas eu já estava acostumado, estava sempre com fome, por sorte ainda tinha um pacote de macarrão instantâneo que eu consegui comprar com um dinheiro que ganhei fazendo entregas pro supermercado depois da aula. Depois de ficar tanto tempo sem comer, tive que aprender a me virar, eu tinha 14 anos e já trabalhava pra me sustentar. Em partes, acho que o dono da mercearia me ajudava porque sentia pena, ele sempre me dava almoço e eventualmente me dava roupas e tênis que não serviam mais em seus filhos, além disso, todo dia ele me pagava 30 pratas e deixava eu pegar alguma coisa do mercado no final do expediente; eu gostava muito dele, foi o mais próxim...

Adeus - A eterna despedida.

Há tempos decidi parar de reclamar pelos cantos ou pra um grupo seleto de pessoas. A verdadeira diferença é feita nas pequenas coisas, na proporção de um para um, os incomodados sempre serão a minoria, não se preocupem, não fiquem tristes, vocês não estão sozinhos, só estamos longe, mas não inalcançáveis, e não necessáriamente somos nós quem precisamos nos mudar. Expor a sua opinião tem um custo, estou ciente, não peço que concordem, apenas que considerem. Existem muitas realidades, mas os problemas são coletivos, e as soluções que temos decretam o nosso fim, pense nisso; pense. Meu novo projeto terá um certo viés político mas ainda com questões filosóficas, e ainda com reclamações. Se você concorda você é bem vindo, se você discorda você é ainda mais bem vindo. Deixo a vocês meu epitáfio como inconstante (ou será que não?). https://indigentecomrg.blogspot.com/ O conhecimento liberta, a consciência modifica, e movimento gera movimento. Se cuidem, nos vemos por aí, seguimos vivos?

Não me convide, eu não vou.

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Pode me dizer quem são os seus amigos? São pra sempre? O quanto eles são seus amigos? Se você souber a resposta eu digo que você pode até estar certo, mas que é preciso muito tempo pra você provar seu ponto e continuar certo. Um amigo, muitas vezes é um inimigo que você conhece bem o suficiente. Menos o Gustavo, filho te amo. Eu não sinto que seja acima da média, eu não me acho melhor do que ninguém, eu não quero competir com ninguém em nada.   Mas, se eu for fazer qualquer coisa, ou comparecer em algum lugar, vou sempre dar o meu melhor, e sei quanto isso me custa, sei que ser transparente e intenso já me colocou em situações que eu poderia ter evitado facilmente, mas nunca consegui; não consigo.   Por conta dessa intensidade, recentemente passei por várias situações que me mudaram por completo, remapearam meu cérebro e me fizeram até mudar de endereço.   Aprendi.   Não volto mais aos antigos cômodos e não uso mais o telefone das antigas amizades, al...

Eu odeio terças-feiras - Um ótimo dia pra morrer ou pra virar fumante.

No meu texto “Artur”, tem uma informação que é uma opinião pessoal minha, do autor; eu odeio terças-feiras.   Todos os meus esforços se esvaem.   Tem dias que nada faz sentido.   Se eu fosse uma pessoa diferente todos os dias, e tivesse que enfrentar realidades diferentes, problemas diferentes, empregos diferentes, eu provavelmente desistiria e deixaria todo mundo na mão; principalmente se fosse uma terça-feira.   Me sinto ridículo quando sou otimista com o futuro, acreditando que posso ressignificar qualquer coisa, que posso transpor qualquer obstáculo, que posso fazer exercícios, melhorar minha saúde e melhorar meus hábitos alimentares, me sinto ridículo abdicando dos meus vícios que são tão necessários pra minha saúde mental e emocional.   Sou acorrentado a minha própria existência, limitado pela minha mente, amaldiçoado pelo sangue que corre em minhas veias, ridicularizado por Deus e todas as demais entidades e seres de luz e energia, cor...

Amor no superlativo - Dependência de quem julga não saber amar (e nem ser amado).

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Há tempos não conseguia me sentar com a cabeça vazia. Amanhã mesmo trato de cutucar algum demônio pra que me atormente por tempo indeterminado, a paz não é opcional, pra um masoquista viciado em tristeza e mudança como eu.   Não vou mais me mudar, e isso tirou uma tonelada dos meus ombros, como sei que tirou dos ombros dos meus amigos, escrevo esse texto pra eles, e pra você que está lendo também.   É só uma atualização, de forma mais íntima, me imagine sentado numa máquina de escrever e depois te enviando esse texto em forma de carta, assinada e enderaçada, ou melhor, imagine que estamos numa mesa de bar e eu estou te contando as últimas novidades enquanto sorrio e gesticulo exageradamente com todo o entusiasmo que faz parte da minha personalidade.   Esse texto pode parecer feliz mas não é.   Eu nunca estou 100% feliz ou satisfeito.   A minha realidade ter melhorado um pouco não significa que as olheiras diminuem ou que as rugas de preocupaç...

Auto-preservação - Reestruturação sináptica e individualização do eu, reencontro comigo mesmo.

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Cheguei em casa.   Sento por um instante para organizar as ideias; tenho trabalhado demais, tenho dormido muito mal.   Eu estou cansado.   Depois de uma jornada de 10 horas que se iniciou às 06:00, ainda tenho algumas tarefas a serem feitas para concluir o meu dia, e eu não posso me dar o luxo de estar cansado, outras pessoas dependem de mim para que a engrenagem continue funcionando, eu não me importo de dar 300% do que eu tenho se for pra cumprir com a minha parte; e nem reclamo.   Tem tanta gente passando por tanta coisa, coisas horríveis, problemas de saúde, e eu tenho toda a disposição do mundo pra concluir a parcela que me compete da realidade que me cerca.   Faz tempo que não escrevo sobre como tenho me sentido.   Ando sem paciência, não no sentido negativo da coisa, mas no sentido de que cansei de perder meu tempo com coisas que não valem ele. Os estímulos são muitos, as relações e o network se fazem muito presentes, as redes...

Dia de greve.

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É o primeiro texto que eu escrevo com viés politizado; ainda sobre tristeza e melancolia.   Hoje não fui trabalhar, o metrô de São Paulo está de greve, tirei o dia pra colocar a mão na consciência e tentar entender algumas coisas.   É um momento crítico para a humanidade, de ruptura, e sinceramente, acho que só conseguimos seguir sem uma guerra civil ou uma terceira/quarta/quinta guerra mundial porque não estamos todos confinados no mesmo espaço.   A divergência de opiniões e a guerra ideológica são amenizadas e diluídas em pequenas doses graças as limitações territoriais, incompreensão de outros idiomas por parte marjoritária das populações, diversidade cultural, pelos bodes expiatórios artísticos e pela fachada da empatia com o próximo.   Me voltando para os bodes expiatórios, tem um valor imprescindível para a humanidade, é a melhor maneira de travar uma guerra da forma mais saudável possível, temos os concursos de miss universo, miss regionais, fu...

O choro do bêbado - top 10 pessoas que ninguém se importa.

Nada é igual.   Nenhum corpo substitui o outro, nenhuma sensação se repete, a novidade me mata aos poucos.   Numa trilha na qual eu não vejo meu rosto, eu não sei quem sou, e por conta disso nunca fico muito tempo em lugar nenhum, não sei quem sou, não sei pra onde vou, não sei qual o sentido disso tudo e o porquê de muitas coisas, uma vez que não sei o porquê, por que fazer?   Nenhum sentido de pertencimento é tão grande quanto os maiores.   Uma vez que você pertenceu, nunca mais pertencerá, e só quem já pertenceu sabe.   Portas se fecham pra nunca mais se abrirem, às vezes isso dói, e é solitário.   Seguimos crendo ser soberanos de nossas vontades e canalizadores de nossos desejos, e isso é frustrante, porque no fim das contas, ninguém sabe o que quer, além do sentido biológico da coisa; óbvio.   Feliz aniversário Maria.   Nenhuma boca é como a sua, nenhum abraço é como o seu, talvez sejam um dia, talvez? Ninguém ...

Claire.

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Ofegantes, suados, com os músculos retraídos, trocávamos olhares enquanto transavamos depois de muito tempo, o famoso sexo com saudade. Parecia que cada célula do meu corpo precisava dela, ali, naquele momento, exatamente do jeito que estava acontecendo, e nada mais importava, quase como se não houvesse um universo lá fora, só existíamos eu e ela.   Ela sorria, revirava os olhos, mordia os lábios e me pedia pra parar, sabendo que eu não pararia, e ela não queria que eu parasse de verdade, era tudo uma provocação que eu adorava, e ela sabia que eu adorava.   Apertei suas costas com as pontas dos dedos e a puxei pra perto intensificando os movimentos e respirando cada vez mais fundo, puxo seu cabelo pela parte de trás, próximo a nuca e ela olha pra cima, suas pernas tremem, seu corpo inteiro treme e ela me abraça, me aperta como se eu fosse tudo que ela tivesse, como se não quisesse me perder, e então... Começa a chorar.   Podia ver o desespero em seus olhos.   Uma car...